Moradores e comerciantes da Tijuca, na Zona Norte do Rio, buscam soluções criativas para proteger seus bens contra a escalada de furtos e roubos. A instalação de correntes em máquinas de ar-condicionado tornou-se uma medida visível nos estabelecimentos do bairro, refletindo o clima de apreensão.
A falta de policiamento noturno é apontada como um dos principais fatores que contribuem para o aumento da criminalidade, especialmente durante a madrugada. Relatos indicam que objetos contendo metal são alvos frequentes, levando a uma sensação generalizada de insegurança.
Dados recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP) confirmam o receio da população, com um aumento de 10% nos registros de furtos na área de abrangência do 6º BPM (Tijuca) entre janeiro e maio de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior.
Ações de comerciantes e relatos de insegurança
O supervisor administrativo de uma academia local, Vinícius Marques, de 32 anos, descreve a rotina de furtos que ocorrem principalmente de madrugada. “De madrugada tem muito roubo de cabo, de fio, de ar-condicionado… A gente consegue acompanhar isso por câmeras. Na academia, temos um sistema de segurança 24 horas, mas na rua sentimos um pouco a falta do policiamento de noite na área para conter esse tipo de crime”, relata.
Luiz Alberto, comerciante de 59 anos, corrobora a preocupação, destacando que itens metálicos são os preferidos dos criminosos. “O maior problema são os moradores de rua que usam drogas. Os caras roubam cadeados, portas de alumínio… qualquer coisa de ferro eles tentam arrancar. Eles levam as máquinas de ar-condicionado e a gente precisa acorrentar”, afirma. Ele também nota um aumento em roubos de carros e assaltos a pedestres.
Aumento de crimes e apelo por mais segurança
Sebastiana Souza, 75 anos, costureira e cabeleireira, que reside na Tijuca há 56 anos, já foi vítima de um assalto em seu estabelecimento e relata ter tentado furtar seu ar-condicionado. “Eu moro aqui há 56 anos e era maravilhoso. De uns tempos para cá mudou tudo. Já tentaram pegar meu ar-condicionado também. Me sinto insegura, tenho que ficar com a porta fechada. É muito complicado”, desabafa.
Anderson Coelho, 48 anos, motociclista e entregador, já presenciou diversos assaltos e chegou a receber multas de trânsito ao tentar fugir de situações de risco. “Toda hora a gente é obrigado a avançar um sinal, porque vemos coisas suspeitas e passamos para não perder a moto, o celular ou a vida. Já voltei na contramão porque o motociclista na minha frente foi roubado”, conta.
Estatísticas e resposta da Polícia Militar
Os dados do ISP indicam um aumento de 10% nos furtos na área do 6º BPM entre janeiro e maio de 2026 (4.306 casos) em comparação com o mesmo período de 2025 (3.908 casos). Em maio de 2026, foram 902 registros, contra 897 em maio de 2025.
A Polícia Militar informou que o planejamento operacional do 6º BPM é constantemente reavaliado. “O policiamento na região é realizado por equipes em motocicletas e viaturas, além de efetivo extra escalado por meio do Regime Adicional de Serviço (RAS)”, declarou em nota. A corporação também ressaltou que muitos desses atos são cometidos por pessoas em situação de vulnerabilidade com alto índice de reincidência criminal.
A Polícia Militar reforça a importância do envio de informações ao Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177 e lembra que, em situações emergenciais, o acionamento deve ser feito imediatamente pelo 190 ou pelo aplicativo 190.
Fonte: O Globo
