Cláudio Castro se torna o mais recente governador do Rio de Janeiro a enfrentar a Justiça
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou o ex-governador Cláudio Castro (PL) inelegível por oito anos, após condenação por abuso de poder político e econômico. A decisão o insere em um histórico de governadores fluminenses que foram alvo de prisões, cassações e impeachments nas últimas três décadas.
Castro renunciou ao cargo na véspera do julgamento, numa tentativa de evitar a perda do mandato. No entanto, a Justiça Eleitoral o considerou culpado por utilizar as estruturas da Fundação Ceperj e da Uerj para fins eleitorais em 2022.
Com a saída de Castro, o presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), Ricardo Couto, assume interinamente o governo. Uma eleição indireta pela Alerj definirá o novo comandante do Executivo em até 30 dias.
Histórico de Instabilidade no Governo do Rio de Janeiro
A atual crise sucessória no Rio de Janeiro reflete um longo histórico de instabilidade no Poder Executivo do estado. O antecessor de Castro, Wilson Witzel (2019-2021), foi o primeiro governador a sofrer impeachment desde a redemocratização.
Witzel perdeu o cargo por crimes de responsabilidade relacionados a contratos da área da Saúde durante a pandemia de Covid-19. Apesar da condenação, ele manifestou o desejo de concorrer em 2026, afirmando estar “mais experiente, mais cauteloso”.
Do Impeachment à Prisão: Outros Governadores Fluminenses Envolvidos com a Justiça
Antes de Witzel, Luiz Fernando Pezão (2015-2018) foi preso no exercício do mandato em 2018. A Operação Lava-Jato o acusou de corrupção e organização criminosa, com base em investigações contra seu antecessor, Sérgio Cabral (2007-2014).
Cabral, um dos nomes mais proeminentes nesse histórico, acumulou mais de 430 anos de prisão em 23 condenações. Ele confessou desvios de R$ 224 milhões em obras da usina de Angra 3 e respondeu a 184 acusações de lavagem de dinheiro.
Problemas Judiciais que se Estendem por Décadas
O histórico de problemas judiciais no governo fluminense não se restringe aos mandatos mais recentes. Rosinha Garotinho (2003-2006) foi presa em 2017 pela Operação Caixa d’Água, acusada de integrar organização criminosa para extorsão de empresários e financiamento ilícito de campanhas.
Anthony Garotinho (1999-2002) foi preso em 2016 e condenado pelo TSE por corrupção eleitoral, associação criminosa e coação de testemunhas em Campos dos Goytacazes. Já Moreira Franco (1987-1991) foi preso temporariamente em 2019 por suspeitas na Caixa Econômica Federal, sendo posteriormente absolvido por falta de provas, embora tenha sido condenado a devolver R$ 2 milhões por desvios na educação.
Fonte: G1
