Aliança no Rio de Janeiro: Paes e Reis Navegam entre Lula e Bolsonarismo
A formação da chapa para o governo do Rio de Janeiro, unindo o prefeito Eduardo Paes (PSD) e Jane Reis (MDB), irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, gera um cenário político peculiar. A aliança busca conciliar apoios que divergem nas esferas nacionais, com Paes alinhado a Lula (PT) e Washington Reis declarando apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
A estratégia, anunciada em evento no Rio, visa focar na disputa estadual, evitando a polarização nacional. Eduardo Paes enfatizou a importância de unir pessoas com visões distintas, mas comprometidas com o Rio de Janeiro. O prefeito informou que o presidente Lula foi comunicado e demonstrou apoio à aliança.
Washington Reis, apesar da aliança de sua irmã com Paes, afirmou que fará campanha para Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Jane Reis, por sua vez, já demonstrou apoio a Bolsonaro em eleições anteriores, o que adiciona uma camada de complexidade à atual composição.
Estratégia Regional e Divisão de Apoios Presidenciais
A chapa é vista como estratégica, considerando que a capital e Duque de Caxias são os maiores colégios eleitorais do estado. A influência da família Reis em Duque de Caxias, aliada à sua forte ligação com igrejas evangélicas, é um fator relevante para Eduardo Paes.
A vinculação dos Reis com os Bolsonaro já foi alvo de investigação da Polícia Federal, relacionada a suposta falsificação de cartões de vacina em Duque de Caxias. Washington Reis, inclusive, era considerado um nome preferencial de Bolsonaro para representar a direita no Rio, mas enfrenta um processo de inelegibilidade.
Críticas ao Governo Estadual e Segurança Pública em Foco
Durante o anúncio, Eduardo Paes criticou o governo de Cláudio Castro (PL), acusando-o de confundir política com outros interesses. O prefeito também abordou a questão da segurança pública, prometendo o fim da cumplicidade do estado com a criminalidade a partir de 2027.
A chegada do MDB fortalece o bloco de Paes, que já contava com partidos de esquerda como PT, PSB e PDT. A busca por alianças estratégicas no estado é marcada pela tentativa de atrair o PP e pela dificuldade em negociações com o União Brasil, que tem forte presença em São Gonçalo, governado pelo PL.
Histórico de Divisões Eleitorais no Rio
O cenário político do Rio de Janeiro já presenciou situações semelhantes em eleições passadas. Em 2014, o MDB do então governador Luiz Fernando Pezão, mesmo coligado com Dilma Rousseff (PT), viu uma dissidência apoiar Aécio Neves (PSDB). Essa divisão demonstra a complexidade e a fluidez das alianças políticas no estado.
Fonte: g1.globo.com
