Estudo Revela Lacunas na Segurança Feminina em Bares de Botafogo
Uma investigação em bares de Botafogo, na Zona Sul do Rio, expôs a alarmante falta de preparo para atender mulheres em situação de risco. A maioria dos estabelecimentos na movimentada Rua Nelson Mandela não oferece sinais claros ou códigos de ajuda, contrariando a lei estadual 8.378/2019.
A pesquisa percorreu nove bares, e apenas quatro apresentavam placas informativas nos banheiros com instruções ou códigos de segurança. De forma ainda mais preocupante, apenas três bares possuíam orientações visíveis para mulheres em casos de violência. Em outros três, gerentes relataram que avisos já existiram, mas foram removidos e não repostos.
A ausência dessas medidas de segurança ganha contornos ainda mais graves após um recente caso de estupro em um dos bares da região, onde uma adolescente de 17 anos foi vítima dentro do estabelecimento. Conforme apurado pelo O Globo, a lei estadual que obriga bares, restaurantes e casas noturnas a adotarem medidas de auxílio a mulheres em risco não está sendo cumprida pela maioria dos locais.
Códigos de Ajuda: Uma Iniciativa Necessária, Mas Pouco Difundida
Apesar da maioria dos bares falhar em exibir avisos, alguns estabelecimentos implementaram códigos para que mulheres em perigo possam pedir ajuda de forma discreta. No bar Braseiro Carioca, localizado na Nelson Mandela, a frase “Eu quero um chá” é o sinal de alerta. O gerente Leonardo Correia explicou que o código, em vigor há quatro anos, funciona porque o bar não vende chá, facilitando a identificação de quem realmente precisa de auxílio.
O Código “Cadê a Ângela?” em Botafogo
Um dos bares da Nelson Mandela, palco do recente estupro, possui nos banheiros femininos uma placa com o código “Cadê a Ângela?”. A mensagem orienta mulheres que se sintam em encontros estranhos ou situações de insegurança a procurarem ajuda usando essa frase. Ângela é uma personagem fictícia de uma campanha inglesa contra assédio. O mesmo código é utilizado em outro bar da mesma rua, de propriedade do mesmo dono.
O bar Coltivi, também em Botafogo, adota o mesmo código desde 2019. Em um dos banheiros unissex, a mensagem “Estás em um encontro que está ficando estranho? Sentes que não estás numa situação segura? Vai até o bar e pergunta: ‘Cadê a Ângela?'” está escrita em relevo, em português e inglês, com a hashtag #NoMore. Até o momento, ninguém utilizou o código para pedir ajuda.
Iniciativas Próprias e a Percepção das Clientes
Outro estabelecimento na Nelson Mandela implementou, desde 2020, um aviso nos banheiros orientando clientes a procurarem a gerência em caso de assédio sexual. O gerente, que preferiu não se identificar, declarou que a medida foi uma iniciativa própria diante do aumento de casos de estupro em bares e restaurantes, visando preservar o público e treinar a equipe para identificar situações suspeitas.
No entanto, clientes frequentadoras de bares na Zona Sul e Zona Norte do Rio relatam não perceber a existência desses avisos. Camila Vitória, de 21 anos, afirmou: “Frequento muitos bares pela cidade, principalmente na Lapa, e não vejo esses avisos nos locais. Não sinto que temos esse suporte nessas situações.” Giovana Pereira, de 20 anos, completou que nunca percebeu nada que oferecesse segurança em encontros, e que os avisos deveriam ser mais explícitos e em locais mais visíveis.
Fonte: O Globo
