Bala de Canhão Francesa da Invasão de 1711 é Vendida por R$ 2.205 em Leilão em Campinas

Bala de Canhão Francesa da Invasão de 1711 é Vendida por R$ 2.205 em Leilão em Campinas

Uma relíquia de um dos momentos mais turbulentos da história do Rio de Janeiro ressurgiu inesperadamente em um leilão em Campinas, São Paulo. Uma autêntica bala de canhão francesa, utilizada na invasão de 1711 liderada pelo corsário René Duguay-Trouin a mando de Luís XIV, foi vendida por R$ 2.205 (incluindo a taxa legal de 5%). […]

Resumo

Uma relíquia de um dos momentos mais turbulentos da história do Rio de Janeiro ressurgiu inesperadamente em um leilão em Campinas, São Paulo. Uma autêntica bala de canhão francesa, utilizada na invasão de 1711 liderada pelo corsário René Duguay-Trouin a mando de Luís XIV, foi vendida por R$ 2.205 (incluindo a taxa legal de 5%). O arremate, ocorrido em 3 de dezembro, chama atenção pelo valor irrisório diante da magnitude histórica do objeto.

Um Testemunho da Invasão Francesa

A peça, de ferro fundido, com 17 cm de diâmetro e pesando quase 15 kg, ostenta a gravação “FRANCE”, confirmando sua origem oficial e o papel da França como Estado na ação militar. Este tipo de munição foi crucial na ofensiva de 1711, quando 17 navios franceses invadiram a Baía de Guanabara, resultando na explosão do Forte de Villegagnon e na queda da Ilha das Cobras. Tropas desembarcaram, a população fugiu e a cidade, então com 12 mil habitantes, foi saqueada e chantageada, com Duguay-Trouin exigindo um resgate de dois milhões de libras.

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Do Campo de Batalha ao Leilão

Segundo registros da Dargent Leilões, a bala de canhão foi encontrada na década de 1950 durante uma escavação próxima ao Mosteiro de São Bento, em Campinas. O geólogo Antonio Carlos Muniz, do Instituto Agronômico de Campinas, foi o responsável pela descoberta. É fascinante pensar que o projétil, que um dia causou pânico entre monges, soldados e civis, permaneceu oculto por séculos sob o solo, para então ressurgir e ser oferecido ao mercado por um valor comparável a um eletrodoméstico ou um jantar.

Simbolismo e Memória Histórica

A venda por R$ 2.205 é vista como emblemática, especialmente por se tratar de um artefato da única vez em que a então capital brasileira foi formalmente conquistada e ocupada por uma potência estrangeira. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, que frequentemente lida com a perda e o esquecimento de suas relíquias, o ressurgimento discreto deste objeto em um leilão paulista carrega um tom poético. A bala de canhão, que outrora abalou a paisagem carioca, agora repousa em posse de um colecionador anônimo, servindo como um lembrete de que a rica história do Rio está dispersa, muitas vezes escondida em locais inesperados.

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Outras Balas de Canhão no Rio

Vale lembrar que o Rio de Janeiro possui outra bala de canhão célebre, protagonista do “Milagre da Rua do Ouvidor”. Essa peça está exposta na sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, onde é venerada ao lado da imagem da Fé, que teria sido atingida por ela durante a Revolta da Armada em 1893. A bala, que caiu de 25 metros de altura, quebrou apenas dois dedos da imagem, o que gerou o milagre. Recolhida pela Irmandade dos Mercadores, é considerada a “primeira bala perdida do Rio” e atrai milhares de visitantes.

O achado em Campinas levanta a questão do que mais ainda pode estar adormecido sob o solo do Rio de Janeiro, aguardando para ser redescoberto e reintegrado à narrativa histórica da cidade.

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