Banca cultural em Ipanema é recolhida pela prefeitura após curta permanência em novo local
Uma iniciativa artística que transformou uma banca de jornal em um ponto cultural de rua em Ipanema, no Rio de Janeiro, chegou ao fim de forma inesperada. A banca, batizada de “Um Tom a Mais”, foi comprada pela artista plástica Christine Moutinho com o objetivo de sediar exposições, lançamentos de livros e pequenos encontros culturais, inspirada pela época da Bossa Nova. Após dois anos de atividades e um investimento superior a R$ 200 mil, o projeto enfrentou desafios que culminaram no recolhimento da estrutura pela prefeitura.
A mudança para um novo endereço, na Rua Joana Angélica, ocorreu a pedido da artista, que buscava adequação após o ponto original ser desocupado devido a um novo empreendimento imobiliário. No entanto, o local recém-ocupado se mostrou inviável, com a estrutura bloqueando o acesso a um prédio residencial, o que gerou reclamações de moradores. A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) agiu rapidamente, recolhendo a banca quatro dias após sua instalação no novo ponto.
Christine Moutinho expressou sua frustração com o desfecho, questionando a lógica por trás da venda de licenças para bancas de jornal se, posteriormente, a operação de projetos culturais for impedida. Apesar de desistir da banca, ela afirma que continuará buscando seus direitos e desenvolvendo iniciativas artísticas, mantendo sua característica de ousadia e adaptação.
O projeto “Um Tom a Mais” e sua inspiração
O projeto “Um Tom a Mais” nasceu com a proposta de revitalizar o papel cultural das bancas de jornal, que hoje se concentram mais na venda de produtos diversos do que em atividades culturais. Christine Moutinho, que também atua como cenógrafa ligada ao carnaval, investiu na banca para criar um espaço de convivência intimista, alinhado à memória afetiva do bairro de Ipanema e à sua própria história, relembrando o incentivo que recebeu do maestro Tom Jobim no início de sua carreira.
Deslocamento e recolhimento da estrutura
A necessidade de desocupar o ponto original na esquina das ruas Nascimento Silva e Garcia D’Ávila, em Ipanema, foi motivada por obras de um novo empreendimento imobiliário. A transferência para a Rua Joana Angélica, inicialmente vista como uma solução, rapidamente se mostrou problemática. A localização em frente à entrada de um prédio residencial gerou transtornos e reclamações, levando à intervenção da Seop. A banca permaneceu no novo local por apenas quatro dias antes de ser levada para um depósito municipal.
Posicionamento da prefeitura e próximos passos
A Seop confirmou que a banca foi levada para a Rua Joana Angélica com autorização, mas que a decisão de retirá-la se deu após as reclamações dos moradores da região. A secretaria ressaltou que a posse de um espaço público é uma concessão que pode ser revogada a qualquer momento. Atualmente, Christine Moutinho tem duas opções: realocar a banca para um espaço privado ou aguardar um novo processo para a escolha de um ponto público, apresentando três novos endereços para avaliação. Contudo, a artista indica que pretende desistir do projeto da banca, mas não de suas atividades artísticas.
Fonte: G1
