Endereços de Luxo e Discrição Marcam Imóveis Ligados a Rodrigo Bacellar no Rio
Imóveis de alto padrão na orla da Zona Sul do Rio, associados ao presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), foram palco de buscas e apreensões. Esses locais, descritos por funcionários, parlamentares e moradores como usados para reuniões reservadas e para a guarda de objetos e documentos, reforçam um padrão de discrição.
Embora os mandados tenham sido cumpridos em endereços de luxo em bairros como Leme e Copacabana, Bacellar não residiria habitualmente em nenhum deles, segundo relatos. Os apartamentos também serviriam como ponto de encontro ocasional para familiares e amigos do deputado, que, segundo sua defesa, informou ter se mudado recentemente.
A investigação, parte da Operação Unha e Carne, já identificou ao menos oito imóveis vinculados a Bacellar. A fase mais recente da operação focou em quatro endereços, incluindo três na Zona Sul do Rio e um em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
Segurança Reforçada e Acesso Controlado no Leme
Um dos imóveis em destaque fica de frente para o mar do Leme. O prédio, com 12 andares, não se destaca pela ostentação, mas sim por um rigoroso esquema de segurança. Câmeras, vidros escuros nas janelas e seguranças com equipamentos de comunicação compõem o cenário.
A discrição é tal que, ao ser questionado por jornalistas, um funcionário afirmou não estar autorizado a fornecer informações. Vizinhos mencionaram apenas a movimentação esporádica de pessoas que se identificavam como parentes ou amigos do deputado, reforçando o perfil reservado do local.
Agentes federais encontraram dificuldades para acessar o apartamento no sexto andar, que ocupa todo o pavimento, devido a uma porta blindada, conforme noticiado pela TV Globo. Deputados próximos a Bacellar confirmam que ele utilizava imóveis fora da Alerj para reuniões.
Copacabana e Apart-hotéis: Outros Endereços Sob Investigação
Outro endereço associado a Bacellar está localizado na Rua Aires Saldanha, em Copacabana. Trata-se de um prédio antigo, em fase de obras, onde funcionários relataram nunca ter visto o deputado, mas que já ouviram comentários sobre a circulação de pessoas conhecidas dele no imóvel.
Porteiros de prédios vizinhos relataram que, embora Bacellar não seja visto com frequência, há comentários sobre a presença de seus parentes e amigos no local, descritos como figuras conhecidas, mas superdiscretas.
Na Avenida Princesa Isabel, um apart-hotel também foi alvo de busca. Funcionários indicam que Bacellar raramente utiliza o espaço, que costuma ser ocupado por parentes ou amigos, mantendo o padrão de uso reservado.
Histórico de Buscas e Declaração de Bens
Em decisões relacionadas à prisão do desembargador federal Macário Judice Neto, o ministro Alexandre de Moraes autorizou buscas em um endereço em Campos. Na primeira fase da operação, que levou Bacellar à prisão em dezembro, mandados foram cumpridos em uma cobertura em Botafogo e em imóveis em Campos e Teresópolis.
Curiosamente, nenhum desses endereços constava na declaração de bens de Bacellar na eleição de 2022, sugerindo que possam ter sido alugados ou adquiridos posteriormente. Na época, o então candidato registrou um patrimônio de R$ 793 mil.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes determinou a verificação de “eventuais cômodos secretos ou salas reservadas” nos imóveis, além da apreensão de registros de controle de acesso, caso existissem.
Fonte: O Globo
