Tombamento do Antigo Dops no Rio Garante Preservação da Memória da Ditadura Militar
O antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Rio de Janeiro, foi oficialmente tombado como patrimônio histórico. A medida, homologada pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, visa preservar a memória de um período sombrio da história brasileira.
O edifício, palco de torturas e perseguições durante a ditadura militar (1964-1985), vinha sofrendo com o abandono. A iniciativa de tombamento atende a um clamor de ex-presos políticos e familiares de desaparecidos, que defendem a transformação do local em um espaço de reflexão.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União, representa um marco na garantia de que os erros do passado não sejam esquecidos. O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou a importância do ato para homenagear as vítimas e educar as futuras gerações.
Histórico e Características do Edifício
O antigo prédio da Repartição Central de Polícia, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no mês passado, possui características arquitetônicas notáveis. Desde 1987, o imóvel já era protegido pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) por seu valor arquitetônico.
Em seu interior, o edifício ainda preserva as carceragens masculina e feminina, além de documentos e armários que remetem à época. Notavelmente, uma sala com revestimento acústico, utilizada para sessões de tortura, também faz parte da estrutura.
Danos Estruturais e a Importância da Preservação
Visitas técnicas ao local revelaram danos estruturais significativos, agravados pela ação do tempo. A deterioração do prédio compromete não apenas sua arquitetura, mas também o valioso patrimônio histórico e cultural que ele representa.
Inaugurado em novembro de 1910, o edifício foi projetado pelo arquiteto Heitor de Mello, em um período de grandes transformações urbanas no Rio de Janeiro. O local abrigou o Dops, um dos principais órgãos de repressão da ditadura militar, extinto em 1983.
Um Espaço para a Memória e a Educação
A transformação do antigo Dops em um espaço de preservação da memória política é vista como fundamental. Ao tornar o edifício patrimônio, busca-se criar um local de homenagem às vítimas e de conscientização sobre os horrores da ditadura.
A expectativa é que o tombamento garanta a recuperação e a manutenção do prédio, permitindo que ele cumpra seu novo papel: o de ser um lembrete constante da importância da democracia e dos direitos humanos, contribuindo para que as futuras gerações não repitam os erros do passado.
Fonte: G1
