Movimentação nos bastidores para eleição indireta no Rio de Janeiro
André Ceciliano, atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, intensificou sua presença política no Rio de Janeiro com o objetivo de viabilizar sua candidatura ao cargo de governador-tampão. A manobra ocorre em preparação para uma eleição indireta, prevista para abril, após a saída do governador Cláudio Castro para disputar uma vaga no Senado.
Ceciliano pretende se dedicar à consolidação de apoios junto aos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que serão responsáveis pela escolha do governador interino. A expectativa é que o eleito permaneça no cargo por cerca de nove meses, até o fim do mandato atual.
Essa movimentação política, embora focada em um período curto de governo, detém poder e visibilidade consideráveis em um ano eleitoral, além de controle sobre a máquina administrativa estadual. A estratégia de Ceciliano visa fortalecer a campanha de Lula à reeleição, utilizando a estrutura do governo fluminense para ampliar a influência do Planalto em um dos maiores colégios eleitorais do país.
Trânsito livre na Alerj e trunfo político
A familiaridade de Ceciliano com o Legislativo fluminense é apontada como um de seus principais trunfos. Como ex-presidente da Alerj, ele construiu relacionamentos sólidos com diversos parlamentares que agora terão a responsabilidade de escolher o substituto de Castro. Esse trânsito facilita a articulação e a busca por votos.
Projeto nacional e cálculo local
A candidatura de Ceciliano também é vista como uma forma de pressionar o prefeito do Rio, Eduardo Paes, considerado o nome preferencial de Lula para uma futura disputa pelo governo estadual. Um governador-tampão alinhado ao Planalto poderia atuar como um elemento de equilíbrio ou cobrança no cenário político, influenciando as alianças que Paes busca.
Impacto duradouro de uma eleição provisória
A eleição indireta, apesar de ter menor visibilidade pública, pode gerar efeitos significativos no cenário político fluminense e nacional. O governador-tampão, mesmo por um curto período, tem a capacidade de definir prioridades administrativas, reorganizar forças internas e influenciar a largada para a disputa pelo governo em 2026. A ofensiva de Ceciliano demonstra a importância estratégica de mandatos provisórios na construção de projetos futuros.
Fonte: Lauro Jardim (O Globo)
