Manicure sonhava em deixar comunidade marcada pela violência em Irajá após ser morta por bala perdida
A manicure Tatiany Brandão Cruz, de 41 anos, que foi morta em meio a um tiroteio na comunidade das Malvinas, em Irajá, Zona Norte do Rio, no último domingo (1º), já expressava o desejo de deixar a região devido à constante tensão provocada pela violência. A informação foi dada por uma amiga de infância da vítima, que reside na mesma localidade e preferiu não se identificar por segurança.
Segundo a amiga, Tatiany frequentemente comentava sobre sua preocupação com a situação e que buscaria uma oportunidade para se mudar, assim como outros moradores. “Ela sempre comentava que estava preocupada com essa tensão na comunidade. Dizia que sairia se tivesse oportunidade, como outras pessoas também. É muita tensão que a gente tem aqui”, relatou.
Tatiany foi atingida por uma bala perdida enquanto atendia uma cliente em frente à sua casa. A comunidade das Malvinas é dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP) e, na ocasião do crime, teria sido palco de uma invasão por traficantes do Comando Vermelho. A amiga descreveu os momentos de pânico vividos durante os confrontos, que são recorrentes na área: “Quando aconteciam as coisas (tiroteios), a gente ficava agoniada, de um lado para o outro”.
Trajetória e sepultamento da vítima
Após ser atingida, Tatiany foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Irajá e, posteriormente, transferida para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Infelizmente, ela não resistiu aos ferimentos. O corpo da manicure, que deixa quatro filhos, foi sepultado na tarde desta terça-feira (3) no Cemitério de Irajá.
A amiga descreveu Tatiany como uma pessoa dedicada à família, uma “boa mãe, boa filha” e “ótima pessoa, boa de coração”.
Outras vítimas e investigação do caso
Além de Tatiany, o tiroteio deixou outros dois feridos: Sebastião Gomes Valadão, de 72 anos, e João dos Santos, de 71 anos. Ambos foram encaminhados para a UPA de Irajá e depois para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. João dos Santos recebeu alta no dia seguinte, enquanto Sebastião permanecia em quadro estável até a última terça-feira, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES).
A Polícia Civil informou que o caso foi registrado inicialmente na 23ª DP (Méier) e encaminhado para a 27ª DP (Vicente de Carvalho), que está à frente das investigações para apurar as circunstâncias da morte e dos ferimentos.
Fonte: O DIA
