Gutemberg Fonseca sob suspeita em investigações da PF
Pessoas próximas a Flávio Bolsonaro expressam preocupação com a permanência de Gutemberg Fonseca, atual secretário estadual de Defesa do Consumidor no Rio de Janeiro, como um aliado estratégico. A preocupação se intensifica diante da possibilidade de a relação com Fonseca se tornar um obstáculo em uma eventual candidatura de Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2026.
A situação ganhou contornos mais graves após a Polícia Federal revelar, em novembro, diálogos interceptados que indicam uma tentativa de influência do Comando Vermelho sobre o policiamento no Rio, com supostos contatos envolvendo Gutemberg Fonseca. Apesar das revelações, Fonseca segue à frente da secretaria, o que gera apreensão nos círculos políticos.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro apontam que a manutenção de Gutemberg Fonseca no cargo se deve, em parte, à forte relação pessoal que o secretário possui com o senador. Contudo, essa mesma ligação é vista como um risco eleitoral significativo para a imagem de Flávio Bolsonaro durante uma campanha presidencial, conforme apurado pela coluna.
Detalhes da Operação Zargun e os diálogos interceptados
As conversas obtidas pela Operação Zargun mencionam um encontro entre Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão e apontado pela PF como membro do Comando Vermelho, e o próprio Gutemberg Fonseca. O diálogo interceptado sugere que Índio do Lixão teria procurado Fonseca para apresentar demandas e solicitar “cobertura política”.
Versões e negações sobre o encontro
Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário e preso na referida operação, relatou à PF que soube da reunião com Gutemberg Fonseca através do próprio secretário. No entanto, Gutemberg Fonseca nega veementemente que tal encontro tenha ocorrido, o que adiciona complexidade à investigação e à situação política do secretário.
A permanência de Gutemberg Fonseca em um cargo de destaque no governo estadual, mesmo sob o escrutínio da Polícia Federal, levanta questionamentos sobre os critérios de nomeação e o impacto que tais alianças podem ter nas ambições políticas de Flávio Bolsonaro para 2026.
Fonte: O Globo
