Alerj exonera mais de 200 comissionados em ato de transição e reestruturação
A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) publicou na noite desta terça-feira (23) a exoneração de 206 funcionários comissionados. A medida, oficializada em edição extraordinária do Diário Oficial, atinge nomes indicados por políticos influentes, como o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-presidente da Casa, Paulo Melo.
Entre os demitidos estão Marco Antônio Neves Cabral, filho de Sérgio Cabral, e Suzana Neves Cabral, sua ex-esposa. As exonerações foram assinadas pelo primeiro vice-presidente e atual presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL). A presidência da Casa afirmou que os atos “seguem o curso natural da transição” e visam “aprimorar a gestão e, consequentemente, os serviços prestados à população”.
Nos corredores da Alerj, a decisão é interpretada como um movimento político estratégico de Delaroli para desmontar estruturas antigas e redes de influência que persistiram em diferentes gestões. A lista inclui 47 indicações de Paulo Melo e 17 de Sérgio Cabral. A Alerj suspeita da existência de funcionários fantasmas entre os nomeados.
Impacto e Reações à Onda de Exonerações
Suzana Neves Cabral ocupava um cargo em comissão na Diretoria-Geral, com salário líquido de R$ 10.910,88. Marco Antônio, nomeado em março de 2023, atuava na Assessoria da Presidência e recebia R$ 9.741,91 líquidos. Paulo Melo declarou que a demissão é um direito de quem está no poder e mencionou dois afastados que prestavam serviços à deputada Franciane Motta, sua esposa.
Sérgio Cabral, por sua vez, reafirmou, via nota, que não possui ingerência sobre as decisões administrativas da Alerj desde que deixou a presidência em 2003 para assumir o Senado.
Delaroli busca controle e transparência na Alerj
Guilherme Delaroli tem externado a aliados que herdou uma estrutura considerada “inchada e opaca”, com setores autônomos e pouca transparência. Antes das exonerações, ele determinou uma verificação informal nos departamentos para identificar funcionários ausentes ou com funções apenas formais. Fontes indicam que a lista de demitidos pode chegar a mil nomes.
Apesar da insatisfação de alguns, como o presidente afastado Rodrigo Bacellar, que supostamente recebe conselhos de Sérgio Cabral, a percepção geral é que esta primeira fase visa dar lastro político para futuras decisões. Delaroli promete uma próxima etapa técnica, com análise de currículos e recomposição de áreas estratégicas, vista por alguns como um ajuste de contas silencioso.
Fonte: g1.globo.com
