Cine Odeon completa 100 anos: personalidades relembram o 'templo cinematográfico' do Rio de Janeiro

Cine Odeon completa 100 anos: personalidades relembram o ‘templo cinematográfico’ do Rio de Janeiro

Cine Odeon celebra um século de história como ícone do cinema carioca O Cine Odeon, localizado no coração do Rio de Janeiro, completa 100 anos em abril de 2026. Inaugurado com pompa em 1926, o cinema se tornou um verdadeiro ‘templo cinematográfico’ e é o último remanescente das grandiosas salas que formavam a histórica Cinelândia. […]

Resumo

Cine Odeon celebra um século de história como ícone do cinema carioca

O Cine Odeon, localizado no coração do Rio de Janeiro, completa 100 anos em abril de 2026. Inaugurado com pompa em 1926, o cinema se tornou um verdadeiro ‘templo cinematográfico’ e é o último remanescente das grandiosas salas que formavam a histórica Cinelândia. Ao longo de um século, o Odeon foi palco de pré-estreias com estrelas internacionais, grandes lançamentos de clássicos de Hollywood e de filmes nacionais que marcaram época, além de ser o principal cenário do Festival do Rio.

A sala, com sua arquitetura neoclásica e capacidade para 951 espectadores, foi construída no local onde outrora existiu o Convento da Ajuda. Essa origem histórica contribui para a aura de reverência que o cinema carrega até hoje, sendo frequentemente descrito como um “templo sagrado” e uma “igreja” do audiovisual carioca. Sua importância transcende a exibição de filmes, consolidando-se como um patrimônio afetivo e cultural da cidade.

Atualmente administrado pela rede Kinoplex, o Cine Odeon não possui uma programação regular. Sua vocação se volta para exibições especiais, pré-estreias, festivais e eventos corporativos. A cada ano, em outubro, o espaço, oficialmente chamado Cine Odeon — Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro, abre suas portas para o renomado Festival do Rio, garantindo a continuidade de sua tradição e a preservação de sua essência como centro de difusão cinematográfica.

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Um Legado de Clássicos e Estrelas Internacionais

O Cine Odeon ostenta em seu currículo o lançamento de clássicos inesquecíveis como “Cleópatra” (1934) e “Aconteceu naquela noite” (1934). Em sua fachada majestosa, foram projetados painéis que remetiam à era de ouro de Hollywood, atraindo multidões para a Praça Floriano Peixoto. Filmes de grande sucesso, como “O Exorcista” (1973) e “E.T. O Extraterrestre” (1982), geraram filas que se estendiam pela praça, evidenciando o poder de atração da sala.

O tapete vermelho do Odeon já foi pisado por inúmeras personalidades do cinema mundial, incluindo nomes como Tom Cruise, Roman Polanski, Samuel L. Jackson, Catherine Deneuve, Jeanne Moreau, Juliette Binoche, Henry Cavill, Bradley Cooper e Isabelle Huppert. Esses eventos solidificaram a reputação do Odeon como um dos cinemas mais importantes do país.

Memórias e Emoções em Meio Século de História

A história do Odeon se confunde com a de muitos profissionais e cinéfilos. O diretor Ilda Santiago o compara ao “Maracanã dos cinemas”, um lugar onde todos almejam exibir seus filmes. Ela relembra momentos como a sessão lotada de “O Pianista” (2002), com a presença de Roman Polanski, e a animação durante a final da Copa do Mundo de 2002, quando o cinema se transformou em um ponto de celebração coletiva.

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Para a cineasta Sandra Werneck, o lançamento de “Madame Satã” no Odeon foi uma experiência inesquecível. “É um cinema antigo, mas que me lembra um começo de vida. E tem uma coisa muito bonita de reverência ao cinema. Tem uma aura de cinema clássico que me deixa sempre emocionado quando meus filmes passam lá”, declara.

O ator e diretor Selton Mello descreve o Odeon como “cinema catedral. Cinema rito de passagem, cinema celebração, cinema batismo, templo, cinema tempo.” Ele guarda com carinho a lembrança de Ariano Suassuna às lágrimas após a exibição de “Lavoura Arcaica”.

O Odeon como Palco de Celebrações e Resistência Cultural

O Cine Odeon não se limitou a exibições de filmes. Foi palco do velório do ator José Lewgoy, de eventos como o espetáculo “O samba é minha nobreza” de Hermínio Bello de Carvalho, e de programas especiais como a Maratona Odeon, que unia filmes, shows e café da manhã para cinéfilos.

A produtora LC Barreto destaca as homenagens recebidas no Odeon, ressaltando que “Dona Flor e seus dois maridos” permaneceu em cartaz por semanas no cinema. O diretor de fotografia Walter Carvalho descreve a emoção de subir ao palco do Odeon para apresentar obras como o curta “Cabeça de Copacabana” e o longa “Câncer com ascendente em virgem”, sentindo-se “no lugar certo celebrando o que mais amo”.

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O cineasta Cacá Diegues relembra a estreia de “5x Favela, agora por nós mesmos” no Odeon, um marco para os moradores de favelas que tiveram seus filmes exibidos no icônico cinema. Para ele, o soar do gongo e a projeção significavam ter “virado gente grande”.

A diretora Anna Muylaert vivenciou um momento emocionante com a primeira exibição de seu longa “Cinema, aspirinas e urubus” no Brasil, no Odeon, durante o Festival do Rio. “Quando o filme acabou todo mundo estava de pé aplaudindo o filme. Eu e João Miguel ficamos sem saber como reagir diante de um público que aplaudiu por vários minutos. Foi extremamente emocionante”, relata.

O Cine Odeon é, sem dúvida, um símbolo de resiliência e um santuário para a cinefilia brasileira. Sua capacidade de se reinventar e de manter viva a magia das grandes salas de cinema o garante como um patrimônio cultural que deve ser celebrado e preservado por muitas décadas.

Fonte: O Globo

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