Rodrigo Bacellar é preso novamente: Operação Unha e Carne III apura ligações com o Comando Vermelho no Rio

Rodrigo Bacellar é preso novamente: Operação Unha e Carne III apura ligações com o Comando Vermelho no Rio

Rodrigo Bacellar é preso novamente em operação contra o Comando Vermelho O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), foi preso novamente nesta sexta-feira (27/3) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão ocorre poucos dias após a cassação de seu mandato […]

Resumo

Rodrigo Bacellar é preso novamente em operação contra o Comando Vermelho

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), foi preso novamente nesta sexta-feira (27/3) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão ocorre poucos dias após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o declarou inelegível junto ao ex-governador Cláudio Castro (PL) por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022.

Segundo o STF, o mandado de prisão foi cumprido pela Polícia Federal no âmbito da Operação Unha e Carne III, que investiga indícios de vazamento de informações sigilosas e obstrução de investigações envolvendo organizações criminosas no Rio de Janeiro. Bacellar já havia sido preso em dezembro, mas a Alerj revogou sua detenção, e ele cumpria medidas cautelares.

Com a perda do cargo de deputado estadual, Alexandre de Moraes entendeu que os impedimentos para a prisão de Bacellar haviam sido removidos. A defesa do ex-deputado declarou desconhecer os motivos da nova prisão e a considera indevida e desnecessária, afirmando que irá contestá-la.

Investigações apontam para beneficiamento do Comando Vermelho

A Operação Unha e Carne III também resultou na prisão de outro deputado estadual, TH Joias (MDB), e do desembargador Macário Ramos Júdice Neto. Todos são acusados de beneficiar, direta ou indiretamente, os negócios do Comando Vermelho (CV), uma das principais facções criminosas do país.

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A Procuradoria-Geral da União (PGR) denunciou os três por obstrução de investigação relacionada a vazamento de informações sigilosas para o CV. De acordo com a PGR, Júdice teria repassado informações sobre operações policiais, enquanto Bacellar teria alertado TH Joias sobre uma ação contra a facção, tendo o deputado como alvo principal. TH Joias também é investigado por ligações diretas com o CV.

Escândalos e a influência de facções na política fluminense

O caso de Rodrigo Bacellar e outros envolvidos não é o primeiro escândalo a ligar políticos a atividades criminosas no Rio de Janeiro. Historicamente, o estado tem sido palco de investigações sobre envolvimento de autoridades com milícias e, mais recentemente, com facções de tráfico de drogas como o CV.

O sociólogo Daniel Hirata destaca a novidade da investigação alcançar escalões superiores do poder, como deputados e desembargadores, indo além de policiais que vazam informações. A prisão de Bacellar, TH Joias e Macário Júdice Neto evidencia a profundidade das investigações sobre a infiltração de organizações criminosas em esferas de poder no Rio de Janeiro.

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Conexões entre o CV, a Alerj e o Poder Judiciário

As investigações que levaram à prisão de Bacellar começaram com a detenção de TH Joias. A Polícia Federal (PF) acusou o deputado de ser um membro importante do CV, auxiliando na lavagem de dinheiro, intermediando a compra de armas e drones, e se reunindo com a cúpula da facção. A PF descobriu, através do celular de TH Joias, que Bacellar, então presidente da Alerj, sabia da operação contra o colega e o alertou, orientando-o a remover itens de sua residência.

As mensagens trocadas entre TH Joias e Bacellar indicam uma relação de cumplicidade. Bacellar foi preso em dezembro, mas a Alerj revogou sua prisão, e ele passou a cumprir medidas cautelares. A investigação também aponta para a proximidade entre o desembargador Macário Ramos Júdice Neto e Bacellar, com trocas de mensagens indicando grande confiança e laços familiares. Júdice é suspeito de ser o responsável pelo vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun.

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A influência de Bacellar se estendeu ao Poder Executivo, com indícios de sua interferência na escolha do chefe da Polícia Civil, o que gerou críticas de sindicatos da categoria. A proximidade entre Bacellar e o governador Cláudio Castro era notória, com o governador chegando a citar Bacellar como seu possível sucessor.

Tentativas de influência do CV no Executivo e na Baixada

Além da Alerj e do Judiciário, a investigação aponta para tentativas de cooptação no Poder Executivo estadual. O subsecretário estadual de Defesa do Consumidor, Alessandro Pitombeiro Carracena, foi preso sob suspeita de receber e repassar informações sobre operações policiais em áreas dominadas pela facção. Houve também indícios de tentativas de chefes do CV de cooptar o titular da Secretaria de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca.

A influência das facções também se estende à política da Baixada Fluminense. O vereador Marcos Aquino foi preso em flagrante em uma operação contra o CV, por porte de arma irregular e medicamentos controlados, enquanto visitava o irmão, acusado de integrar a facção. Outro vereador, Ernane Aleixo, é acusado de auxiliar o Terceiro Comando Puro (TCP) com suporte logístico.

Fonte: g1.globo.com

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