Cármen Lúcia critica governantes do Rio após tornar Cláudio Castro inelegível em julgamento no TSE

Cármen Lúcia critica governantes do Rio após tornar Cláudio Castro inelegível em julgamento no TSE

TSE torna Cláudio Castro inelegível por 8 anos em julgamento acirrado A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, proferiu fortes críticas à atuação de governantes do Rio de Janeiro durante o julgamento que resultou na inelegibilidade de Cláudio Castro por oito anos. A decisão, tomada por 5 votos a 2 nesta terça-feira, […]

Resumo

TSE torna Cláudio Castro inelegível por 8 anos em julgamento acirrado

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, proferiu fortes críticas à atuação de governantes do Rio de Janeiro durante o julgamento que resultou na inelegibilidade de Cláudio Castro por oito anos. A decisão, tomada por 5 votos a 2 nesta terça-feira, aponta para abuso de poder político e econômico.

“Governantes do bom povo do Rio de Janeiro receberam a incumbência de representá-los e o que de novo se vê com um julgamento nessa Justiça Eleitoral a desmerecer aquela belíssima terra”, declarou Cármen Lúcia, ressaltando a necessidade de “democracia sem ética, sem o rigor da moralidade administrativa, eleitoral, da impessoalidade”. A fala da ministra ecoa um histórico de problemas de gestão no estado.

Castro renunciou ao governo na véspera da retomada do julgamento, em uma tentativa de evitar a cassação de seu mandato. No entanto, a inelegibilidade, segundo a decisão do TSE, independe da renúncia, impedindo-o de concorrer a cargos públicos pelas próximas oito eleições. O caso se soma a uma série de escândalos envolvendo ex-governadores do Rio, como Wilson Witzel, Sergio Cabral e Anthony Garotinho.

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Abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022

A condenação de Cláudio Castro baseia-se em alegações de abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. O processo aponta o uso da estrutura da Fundação Ceperj e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) para a contratação de cabos eleitorais e a distribuição de cargos e recursos públicos visando ampliar o apoio político.

A relatora da ação, ministra Isabel Gallotti, e os ministros Antônio Carlos Ferreira, Floriano Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia votaram pela condenação. Eles argumentaram a ocorrência de abuso de poder político e econômico, mesmo com as contratações tendo ocorrido antes do período eleitoral oficial.

O ministro Floriano Azevedo Marques destacou a participação ativa de Castro nos fatos, inclusive na edição de decretos, e a aquiescência necessária do governador para que o esquema ocorresse. Ele ressaltou que as provas demonstram que as contratações serviram como mecanismo para impulsionar candidaturas e alianças políticas, maculando a legitimidade do pleito.

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Em contrapartida, o ministro Nunes Marques abriu divergência, votando pela manutenção da elegibilidade de Castro. Segundo ele, os elementos apresentados não possuem o grau de certeza necessário para a punição, e a alegação de finalidade eleitoreira seria apenas uma “genérica presunção”. Ele também argumentou que a reeleição de Castro em primeiro turno enfraquece a acusação de que as contratações tiveram impacto no resultado eleitoral.

Histórico de irregularidades e a linha sucessória no Rio de Janeiro

A decisão do TSE reflete um histórico de desvios de conduta na gestão do Rio de Janeiro. A presidente Cármen Lúcia lamentou que governantes do estado frequentemente não completem seus mandatos ou saiam de forma abrupta, “tendo em vista o exame e conclusão sobre práticas absolutamente contrárias a tudo que se põe na Constituição e na lei”.

Com a inelegibilidade de Castro, a linha sucessória no governo do Rio passa a ser encabeçada pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, que assume interinamente. Couto terá a responsabilidade de organizar uma eleição indireta para que os deputados estaduais escolham um novo governador até o fim do mandato.

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A defesa de Cláudio Castro nega as irregularidades e sustenta a ausência de comprovação de vínculo direto entre as contratações e a campanha eleitoral, bem como a demonstração de impacto efetivo no resultado das eleições. No entanto, o Ministério Público Eleitoral apresentou parecer detalhado, citando o aumento exponencial de repasses a Ceperj e Uerj, a contratação irregular de milhares de temporários e o pagamento em espécie como provas contra o ex-governador.

A lei em questão é a Lei das Inelegibilidades (LC 64/90), que prevê a sanção de inelegibilidade por oito anos em casos de abuso de poder político ou econômico que desequilibrem disputas eleitorais. Apesar de o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) ter absolvido a chapa de Castro, o caso foi levado ao TSE após recurso do Ministério Público Eleitoral.

Fonte: O Globo

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