Desembargador assume e se diz despreparado para o governo do RJ
O desembargador Ricardo Couto de Castro, que assumiu interinamente o governo do Rio de Janeiro nesta terça-feira (24), declarou em entrevista à Folha de S.Paulo que não se sente preparado para o cargo. A declaração surpreendente surge após a renúncia do governador Cláudio Castro, que buscará uma vaga no Senado.
Couto de Castro destacou a diferença entre as funções de um magistrado e de um governador, ressaltando que a visão de um presidente de tribunal é mais restrita, enquanto a do chefe do Executivo exige decisões rápidas em situações de emergência. Ele afirmou que pretende permanecer no cargo apenas o tempo necessário para a transição, sem planos de longo prazo.
A chegada de Couto de Castro ao Palácio Guanabara é resultado de uma complexa linha sucessória e articulações políticas que se desenrolam desde maio do ano passado. As movimentações envolveram a ida do então vice-governador Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado e a tentativa de eleger Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, como “governador tampão”.
Trajetória de Ricardo Couto de Castro
Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) desde fevereiro de 2025, Ricardo Couto de Castro, de 61 anos, tem uma longa carreira no serviço público. Iniciou na Defensoria Pública em 1989 e ingressou na magistratura em 1992. Atuou em diversos cargos no TJRJ, incluindo juiz auxiliar da Corregedoria e presidente da 4ª Câmara de Direito Público, antes de assumir a presidência do tribunal.
Reviravolta na linha sucessória
O plano para a sucessão do governo foi abalado em dezembro de 2025, quando o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o afastamento de Rodrigo Bacellar, então cotado para o cargo de “governador tampão”, por suspeita de divulgar informações de operações policiais. Com o afastamento de Bacellar, a presidência interina da Alerj ficou com Guilherme Delaroli, impedido de assumir o governo estadual por não ser o titular.
Futuro incerto no comando do RJ
Diante desse cenário, a responsabilidade de assumir o governo interinamente recaiu sobre o presidente do TJRJ. Deputados estaduais já articulam para reduzir o tempo de permanência de Couto de Castro no Executivo. A eleição indireta para o cargo de governador está marcada para daqui a um mês, mas a situação pode se modificar caso Bacellar renuncie, o TSE casse seu mandato, ou até mesmo desconsidere a renúncia de Cláudio Castro, o que poderia levar a uma eleição direta para o mandato tampão.
Fonte: Folha de S.Paulo
