Impasse na Segurança Pública do Rio de Janeiro
O governador Cláudio Castro (PL) exonerou 11 secretários de seu primeiro escalão que pretendem concorrer às próximas eleições. Contudo, uma figura chave ficou de fora da lista: o comandante da Polícia Militar, Marcelo Menezes. Sua permanência à frente da corporação não se deve à desistência de candidatura, mas a uma acirrada disputa política envolvendo deputados que buscam emplacar o nome de seu sucessor.
A legislação eleitoral permite que secretários permaneçam em seus cargos até o início de abril. No entanto, no governo do Rio, a antecipação dessa movimentação tornou-se necessária devido à iminente renúncia de Cláudio Castro. O governador planeja concorrer ao Senado e pretende deixar o Palácio Guanabara na véspera do julgamento que pode cassá-lo e torná-lo inelegível no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), numa manobra jurídica ainda em debate.
A saída do coronel Menezes é vista como certa. Assim como os outros 11 secretários exonerados, ele desejava indicar seu substituto, enviando uma lista com três nomes ao Palácio Guanabara. Entretanto, deputados da Assembleia Legislativa do Rio, liderados por Rodrigo Amorim (União), pressionam para a inclusão de um quarto nome: a coronel Pricilla Azevedo. Ela já comandou a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e foi secretária de Vitimização no governo Wilson Witzel.
Disputa pela Sucessão no Comando da PM
A coronel Pricilla Azevedo é reconhecida internamente como uma profissional competente, mas alguns a consideram “muito moderna para o momento atual”. O líder do governo na ALERJ, Rodrigo Amorim, intensificou nos últimos dias os ataques a Menezes, acusando-o de fazer campanha antecipada. Apesar de a exoneração de Menezes ainda poder ocorrer posteriormente, o Palácio Guanabara não deseja deixar para o desembargador Ricardo Couto, que assumirá interinamente o governo até a eleição indireta, a definição do próximo comandante.
Mudanças no Governo e Cenário Eleitoral
As exonerações ocorrem em meio à expectativa de que Castro renuncie ao cargo de governador já na próxima segunda-feira, visando viabilizar sua candidatura ao Senado e driblar uma possível condenação no TSE. A estratégia jurídica, porém, ainda é alvo de discussões nos tribunais.
Diversas outras pastas sofreram alterações em seus comandos. Na Polícia Civil, Felipe Curi foi substituído pelo delegado Delmir Gouveia. Na Secretaria de Cidades, Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio, deu lugar a Maria Gabriela Bessa. Outras secretarias, como Infraestrutura e Obras, Meio Ambiente, Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, Turismo, Juventude e Envelhecimento Saudável, Ciência, Tecnologia e Inovação, Habitação e Desenvolvimento Econômico, também tiveram novas nomeações.
Em meio ao embate pela sucessão na PM e à incerteza sobre quem ocupará o governo interinamente, há defensores de um comando provisório na corporação até que a Assembleia Legislativa defina o novo chefe do Executivo estadual.
Fonte: G1
