Prisão de vereador no Rio de Janeiro: entenda as provas da investigação policial
O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi detido nesta quarta-feira em uma operação da Polícia Civil. O inquérito que fundamentou a prisão do parlamentar destaca trechos que conectam sua atuação política a favelas do Rio de Janeiro, especialmente a Cidade de Deus. Oliveira, ao ser detido, alegou ser vítima de uma “briga política”.
A investigação, iniciada em 2024, aponta que o vereador utilizou o slogan “Vereança das Favelas do Rio” em sua campanha e se autodenomina “cria” e “representante da Cidade de Deus”. Essa autodeclaração ganha peso, segundo a polícia, devido ao histórico da Cidade de Deus como ponto estratégico para o Comando Vermelho (CV).
A Polícia Civil investiga se a atuação de Salvino Oliveira na comunidade não foi autônoma, mas sim condicionada ao aval de organizações criminosas. A conclusão policial é que o vereador pode ter se beneficiado de um arranjo político-criminoso, onde o exercício do mandato estaria atrelado à facção.
Slogan de campanha e autodenominação como provas iniciais
O inquérito da Polícia Civil menciona que o vereador foi eleito sob o slogan “Vereança das Favelas do Rio” e que ele se apresenta como “cria” e “representante da Cidade de Deus”. A polícia ressalta a relevância dessa autodenominação ao contextualizar a Cidade de Deus como uma área historicamente utilizada pelo Comando Vermelho.
Em um trecho do relatório policial, é destacado que a Cidade de Deus, por seus limites com a Gardênia Azul, serviu como base para criminosos do CV em processos de expansão territorial. O vereador também atuou como relator de uma Comissão Especial da Câmara Municipal do Rio de Janeiro para discutir políticas públicas externas às favelas.
Diálogo com supostos traficantes fundamenta prisão
A investigação ganhou força a partir de uma conversa interceptada, na qual um intermediário pergunta a um homem identificado como “Doca” se o traficante e outra pessoa autorizaram “o Salvino a trabalhar” e se deveriam dar “apoio e ajudar nossos projetos dele”. Embora a resposta do destinatário tenha sido por chamada de voz, a polícia considera o conteúdo da mensagem como indiciário.
A corporação argumenta que a expressão “dar suporte” sugere uma mobilização de estrutura controlada pelo crime organizado para facilitar o acesso, a circulação ou garantir segurança informal. Isso, para a polícia, indica que o vereador pode não ter agido de forma independente, mas sim como beneficiário de um arranjo que condiciona seu mandato à facção criminosa.
Posição da Câmara Municipal e cronologia da investigação
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro emitiu nota afirmando ser “inaceitável qualquer tentativa de associar o debate sobre políticas externas às comunidades a concorrentes de atividade criminosa”. A Casa defende a legitimidade da atuação parlamentar e das comissões voltadas para as favelas.
A Polícia Civil informou que a investigação teve início em 15 de outubro de 2024 e passou por diferentes esferas independentes. A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026, com parecer favorável do Ministério Público em 21 de janeiro e autorização judicial em 27 de fevereiro. A operação, segundo a polícia, não tem cunho político e incluiu a prisão de seis policiais militares.
Fonte: g1
