Programa “Ater Bem Viver” Lança Política Pública Agroecológica no Sul Fluminense
A região Sul Fluminense, no Rio de Janeiro, deu um passo significativo em direção ao desenvolvimento rural sustentável com o lançamento do programa “Ater Bem Viver”. A iniciativa, pioneira no estado, visa beneficiar 350 famílias em 15 municípios, promovendo a produção e comercialização de alimentos saudáveis e a conservação da Mata Atlântica.
A política pública de base agroecológica é fruto de uma parceria entre a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O evento de lançamento, realizado em Volta Redonda, reuniu autoridades, representantes de instituições de ensino como a UFF e o IFF Pinheiral, e lideranças da agricultura familiar, reforçando o compromisso com o sucesso do programa.
O superintendente federal do MDA no Rio de Janeiro, Victor Tinoco, destacou a importância da assistência técnica para o desenvolvimento efetivo no campo. “Essa é uma Ater estratégica para a gente porque trabalha a questão da comercialização, da transição agroecológica”, afirmou, ressaltando o potencial da região, com destaque para a produção de café e leite, além das iniciativas de comunidades quilombolas e áreas litorâneas.
Foco na Transição Agroecológica e Bem-Viver
O programa “Ater Bem Viver” tem como principal objetivo fomentar a transição agroecológica, incentivando a diminuição do uso de agrotóxicos e promovendo o conceito de “bem-viver”, que integra o desenvolvimento humano com a natureza. A iniciativa faz parte de uma “cesta de políticas públicas” do MDA que converge para a agroecologia como eixo estruturante.
Um dos pilares do programa é a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) biodiversos, que integram espécies nativas, frutíferas e cultivos agrícolas. Isso visa diversificar a produção, recuperar áreas degradadas e promover a conservação ambiental. A produção e conservação de sementes crioulas, a produção agroecológica de animais e o uso de biofertilizantes e defensivos naturais também são prioridades.
Protagonismo Feminino e Recuperação Ambiental
A participação das mulheres é um aspecto central no programa “Ater Bem Viver”. Todas as iniciativas da Anater determinam a participação de pelo menos 50% de mulheres, com programas específicos como o “Ater Mulheres Rurais” e o “Ater Bolsa Verde” evidenciando o protagonismo feminino. A deputada estadual Marina do MST ressaltou a importância do projeto para a recuperação de áreas degradadas e o fortalecimento da agricultura familiar.
O programa prevê atividades coletivas e individuais, adaptadas às realidades de cada assentamento ou família. A troca de experiências, insumos e sementes entre os agricultores é incentivada. A Anater disponibilizará o uso do Sistema de Gestão de Ater (SGA Móvel) para otimizar o tempo dos extensionistas no campo, garantindo um atendimento mais eficaz.
A entidade selecionada para executar as atividades no Sul Fluminense é a Plural Cooperativa, que já possui experiência em contratos de Ater no Espírito Santo. O projeto terá 18 meses de execução, com monitoramento contínuo da Anater e do MDA para garantir o cumprimento das diretrizes e do plano de trabalho.
A iniciativa busca também fortalecer a governança climática e a recomposição florestal, com foco na recuperação de mananciais e recursos hídricos, especialmente na bacia do Rio Paraíba do Sul. A agricultura familiar é vista como um agente fundamental nesse processo de transição para um modelo mais sustentável e resiliente.
Fonte: Brasil de Fato
