Eduardo Cunha mira Minas Gerais: legado anti-PT e voto evangélico como estratégias sem planos concretos para o estado

Eduardo Cunha mira Minas Gerais: legado anti-PT e voto evangélico como estratégias sem planos concretos para o estado

Eduardo Cunha busca nova base eleitoral em Minas Gerais com discurso conservador e foco no eleitorado evangélico Após quatro décadas de carreira política no Rio de Janeiro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), anuncia sua pré-candidatura a deputado federal por Minas Gerais. Sem apresentar planos específicos para o estado, Cunha baseia sua […]

Resumo

Eduardo Cunha busca nova base eleitoral em Minas Gerais com discurso conservador e foco no eleitorado evangélico

Após quatro décadas de carreira política no Rio de Janeiro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), anuncia sua pré-candidatura a deputado federal por Minas Gerais. Sem apresentar planos específicos para o estado, Cunha baseia sua estratégia no legado de ter sido o arquiteto do impeachment de Dilma Rousseff e na mobilização do eleitorado evangélico conservador, buscando se destacar em um cenário disputado pelo bolsonarismo.

Em entrevista, Cunha declarou que não pretende ancorar sua campanha em promessas, delegando essa tarefa a quem nunca exerceu mandato. “Minha bandeira é a minha atuação”, afirmou, ressaltando sua trajetória como principal argumento eleitoral. A mudança para Minas Gerais é vista por ele não como um recomeço, mas como uma continuidade de sua vida profissional e política, após ter transferido sua residência para Belo Horizonte no último ano.

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O ex-deputado alega que sua conexão com Minas Gerais se estende por anos, com a construção de relações políticas no estado. “Sou conservador, cristão, liberal, a favor das privatizações”, disse, buscando alinhar-se a demandas locais como o agronegócio e o setor mineral. Sua aposta principal para consolidar sua base fora do Rio de Janeiro recai sobre o segmento evangélico, onde investe na expansão de rádios evangélicas no estado, estratégia que espelha sua trajetória no Rio.

Disputa no eleitorado evangélico e definição partidária

O movimento de Cunha no segmento evangélico o coloca em potencial confronto com o bolsonarismo, que detém forte influência nesse eleitorado em Minas. No entanto, ele relativiza a concorrência, argumentando que “tem voto para todo mundo” e que a eleição proporcional permite a diversidade de candidaturas dentro do mesmo grupo religioso. “O povo evangélico vai buscar outras alternativas para aumentar a sua representatividade lá”, ponderou.

A definição da legenda pela qual Cunha concorrerá em Minas ainda está em aberto. Embora filiado ao Republicanos, ele não descarta mudar de partido, condicionando sua permanência à conveniência da chapa. O ex-deputado confirmou conversas com diversas siglas, mas evita antecipar negociações, indicando que a decisão final deve ocorrer no fim de março. As dificuldades na costura partidária são atribuídas por ele ao modelo eleitoral vigente, defendendo um retorno ao voto distrital.

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Visão crítica sobre o cenário político nacional

Eduardo Cunha mantém seu tom crítico em relação ao cenário político nacional, dirigindo duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele acusa Lula de ter abandonado o discurso de pacificação e de usar a polarização como estratégia de sobrevivência política. “Não tem nada de Lulinha paz e amor. Ele sempre foi Lula, guerra e cacete”, declarou, referindo-se ao confronto como mecanismo para manter a base mobilizada.

Cunha classifica os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 como “baderneiros” e “malucos”, mas responsabiliza Lula pela escalada da situação, argumentando que a permissão para a permanência dos acampamentos golpistas em frente a quartéis foi um erro deliberado. Apesar de sua postura crítica, ele evita um alinhamento explícito com Jair Bolsonaro, mantendo uma distância calculada.

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Autodefinição como “preso político” e legado anti-PT

O ex-deputado se autodefine como “preso político”, sustentando que sua condenação na Operação Lava Jato, posteriormente anulada, foi uma retaliação pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff, episódio do qual não se arrepende. “Só tenho arrependimento de não ter feito antes”, afirmou, reiterando que Dilma cometeu crime de responsabilidade fiscal.

Cunha acredita que seu histórico, especialmente a imagem de quem “tirou o PT do poder”, ainda rende dividendos eleitorais em Minas, principalmente entre conservadores e evangélicos. Ele afirma que as pessoas o abordam nas ruas agradecendo e dizendo que ele “faz falta”, o que, em sua visão, representa uma vantagem e não um prejuízo para sua candidatura.

Fonte: Estadão

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