Rio de Janeiro: Um Novo Roteiro Turístico nas Favelas
O Rio de Janeiro vive um boom turístico em 2025, com 12,5 milhões de visitantes, sendo 2,1 milhões internacionais. Contrariando a expectativa de que turistas se concentram apenas nos pontos icônicos, há uma crescente procura por experiências autênticas em comunidades antes estigmatizadas, como a Rocinha e o Morro da Providência.
Essa nova tendência tem impulsionado a economia local, transformando o turismo em uma importante fonte de renda para moradores dessas áreas de baixa renda. Guias locais como Vitor Oliveira e Cosme Felippsen relatam o aumento significativo de turistas interessados em conhecer a cultura e a arte urbana das favelas.
A busca por uma imersão mais profunda na identidade carioca leva os visitantes a explorar além do “lado chique e caro” da cidade. A professora Caroline Martins de Melo Bottino, da UERJ, destaca que as favelas respondem a essa expectativa de autenticidade, oferecendo uma visão genuína da vida no Rio.
Rocinha: Da Periferia ao Centro das Atenções Turísticas
Vitor Oliveira, que antes atuava como mototaxista na Rocinha, a maior favela do Rio, hoje lidera passeios que incluem mirantes com vistas deslumbrantes, apresentações de capoeira e galerias de arte. A iniciativa surgiu ao observar o interesse crescente de estrangeiros, tornando o turismo sua principal fonte de sustento.
O aumento de visitantes é impulsionado por vídeos virais em redes sociais, que mostram a beleza e a vivacidade dessas comunidades. O turista paraguaio Oscar Jara, que visitou a Rocinha com seu sobrinho, relatou ter se sentido seguro para explorar a área após assistir a um desses vídeos. Ele descreve a experiência como “muito autêntica, não maquiada para turistas”.
A cantora Rosalía também foi vista na Rocinha no final de 2025, aprendendo o famoso passinho, o que reforça o apelo cultural dessas comunidades.
Morro da Providência e Outras Comunidades: Narrativas Autênticas
Cosme Felippsen, guia turístico do Morro da Providência, enfatiza que o objetivo é ir além do superficial, como um simples consumo de bebida. O foco é “sensibilizar, para contar a história destes territórios pelo olhar do protagonista: o morador”.
Novos estabelecimentos com varandas e terraços foram abertos para receber os turistas, alguns oferecendo até vistas panorâmicas com drones. Essa infraestrutura, aliada à autenticidade das experiências oferecidas, tem atraído um número recorde de visitantes, gerando receitas que beneficiam diretamente as comunidades locais.
Fonte: G1
