Violência se Intensifica em Niterói no Início de 2024
Niterói registrou um início de ano alarmante, com pelo menos seis mortes violentas ocorridas entre 1º e 7 de janeiro. Os incidentes, que incluem trocas de tiros e assassinatos, refletem uma escalada de confrontos armados na cidade, com forte impacto em bairros como Fonseca e Engenhoca, mas que também se estenderam a outras áreas como os morros do Estado e do Preventório.
A principal causa para o aumento da letalidade é a disputa territorial entre as facções criminosas Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV). Segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), o CV dominava quase 100% das comunidades em Niterói no ano anterior, e o avanço do TCP tem gerado confrontos diretos.
Moradores relatam o medo constante e o impacto na rotina. Relatos descrevem momentos de terror, com trocas intensas de tiros que obrigam as famílias a se esconderem em locais seguros. A dificuldade em manter a normalidade e o convívio com a violência são queixas frequentes da população afetada.
Confrontos e Operações Policiais
Um dos confrontos mais recentes ocorreu no dia 3 de janeiro, com moradores do Fonseca reportando intensa troca de tiros em diversas comunidades. Na mesma semana, Adiones Ramos dos Santos foi morto a tiros na Rua São Januário, em um caso que a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH-NSG) investiga. No dia seguinte, Adonai Braga da Silva foi executado a tiros próximo ao Morro do Estado.
Na madrugada de terça-feira (7), três criminosos morreram em confronto com policiais militares na Rua São Januário, após furarem um bloqueio e atirarem contra os agentes. Entre os mortos estava Welvison Aureliano Leal, conhecido como Galo, apontado como chefe do tráfico do TCP na comunidade do Santo Cristo e peça chave nos ataques a áreas do CV.
Ações das Forças de Segurança
Em resposta à escalada da violência, a Polícia Militar realizou uma operação conjunta em comunidades de Niterói, incluindo Nova Brasília (Engenhoca) e diversas áreas do Fonseca. A ação resultou na morte de um criminoso, elevando para seis o número de mortes em decorrência de disparos de arma de fogo nos primeiros seis dias do ano.
Segundo o aplicativo Onde Tem Tiroteio (OTT), Niterói foi a segunda cidade do estado do Rio com mais ocorrências de troca de tiros na última semana, com seis registros. O bairro do Fonseca se destacou como o segundo com mais tiroteios no estado em janeiro.
Posicionamento das Autoridades
A Polícia Militar afirmou que atua de forma contínua e integrada na cidade, com foco na prevenção e repressão ao crime organizado, intensificando patrulhamento e ações ostensivas. A Polícia Civil declarou trabalhar em conjunto com a PM para coibir ações criminosas e guerras territoriais.
A Prefeitura de Niterói, embora reconheça que a segurança pública é responsabilidade do estado, destacou seus investimentos e apoio a ações policiais que resultaram em prisões e apreensões de armas e drogas na região, visando a estabilização da segurança e o combate ao domínio territorial de facções.
Fonte: O Globo
