Desconectando para reconectar: o desafio das férias longe do celular
As férias de verão são um período aguardado para descanso e lazer, especialmente para estudantes. No entanto, a presença constante do celular pode se tornar um obstáculo para aproveitar plenamente essas pausas. Especialistas apontam que o uso excessivo de telas pode afetar a atenção, o sono e o comportamento infantil, tornando as férias uma oportunidade crucial para desacelerar e fortalecer laços familiares.
A neurologista infantil Roberta Machado destaca que o equilíbrio é fundamental. “Menos telas e mais presença ajudam a construir férias mais saudáveis, afetivas e cheias de boas memórias para toda a família”, afirma. A ideia não é proibir, mas sim encontrar alternativas que estimulem o desenvolvimento e a interação.
A fonoaudióloga Leticia Sena reforça a importância de substituir o tempo de tela por atividades mais ricas. “Criança precisa de estímulos reais, movimento e interação para se desenvolver bem”, explica. Criar uma rotina flexível com combinados sobre horários sem tela pode diminuir conflitos e tornar a convivência mais leve.
O papel da interação e do tédio criativo
A psicóloga Anastácia Barbosa ressalta que, embora o celular possa oferecer um alívio momentâneo para os pais, a presença e o tempo compartilhado são essenciais para o desenvolvimento infantil. “A criança precisa mais de olhar, de voz e de tempo compartilhado do que de estímulos constantes”, pontua. O tédio, muitas vezes visto como algo negativo, é, na verdade, um espaço fértil para a criatividade e a elaboração de emoções.
O uso excessivo do celular pode impedir que a criança aprenda a lidar com o desconforto e a frustração, silenciando o incômodo em vez de compreendê-lo. “Como psicóloga, sei que não é o aparelho em si que marca, mas o lugar que ele ocupa na relação”, conclui Barbosa.
Equilíbrio e experiências ricas: o segredo para férias produtivas
Filipe Couto, diretor Pedagógico Geral do Colégio pH, enfatiza que o segredo para férias estimulantes, sem a pressão de “escolarizar” o período, está no equilíbrio entre descanso, experiências reais e estímulos significativos. “Não é necessário ter medo de que a criança ‘perca o que aprendeu’, pelo contrário: o cérebro precisa de pausas e de outros estímulos para consolidar os aprendizados”, explica.
Experiências concretas, como visitas a museus, parques ou locais históricos, podem reforçar o aprendizado escolar de forma lúdica. Além disso, atividades cotidianas, como ajudar nas tarefas domésticas, promovem autonomia, responsabilidade e cuidado coletivo, aprendizagens tão valiosas quanto as acadêmicas.
Dicas práticas para férias sem excesso de telas
Para crianças do Ensino Fundamental 1:
- Experiências reais: Visite museus, parques e locais históricos, transformando os passeios em conversas sobre o que viram e aprenderam.
- Leitura: Reserve momentos curtos e frequentes para leitura compartilhada e incentive a leitura em situações do dia a dia (cardápios, placas).
- Tédio criativo: Permita momentos de tédio, disponibilizando materiais como papéis, massinhas e blocos de montar.
- Telas com propósito: Qualifique o conteúdo e combine horários de uso, sempre conversando sobre o que foi assistido.
- Participação doméstica: Incentive a participação em tarefas simples como arrumar a mesa ou cuidar de plantas.
Para adolescentes:
- Novos hobbies: Incentive a exploração de novos interesses como música, esportes, culinária ou programação.
- Leituras diversas: Sugira leituras que vão além do ambiente escolar, como ficção científica ou biografias.
- Diálogo sobre telas: Estabeleça regras combinadas e flexíveis sobre o uso de tecnologia.
- Autonomia: Permita que escolham passeios e participem do planejamento das férias.
- Vivências culturais: Incentive visitas a museus, teatros e cinemas para ampliar a visão de mundo.
As férias são um período potente para o desenvolvimento integral, e a convivência rica, com espaço para brincar, explorar, conversar e descansar de verdade, é o que fortalece o crescimento infantil e juvenil.
Fonte: G1
