Copacabana: Fim das Marquises na Rua Tonelero em Resposta à Cracolândia
Em um ato de desespero e busca por tranquilidade, moradores e comerciantes da Rua Tonelero, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, optaram por uma medida radical: a remoção das marquises de prédios. A decisão partiu da necessidade de afastar usuários de crack e pessoas em situação de rua que intensificaram a ocupação das calçadas na área, especialmente após novembro de 2025.
Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostrou a transformação das fachadas próximas à estação Siqueira Campos do metrô, que agora exibem estruturas sem cobertura. A proximidade com a Ladeira dos Tabajaras, conhecida pelo intenso comércio de crack, agrava a situação, transformando o local em um ponto de grande preocupação para os residentes e trabalhadores.
A síndica de um dos condomínios envolvidos na ação relatou que a decisão foi tomada após uma assembleia-geral extraordinária em outubro. As marquises, segundo ela, foram removidas duas semanas antes do Natal. A medida foi executada após o envio de abaixo-assinados aos poderes públicos sem o retorno esperado. “Para preservar nosso direito de ir e vir, o sono dos condôminos, fizemos isso”, justificou a síndica, mencionando que era possível ouvir conversas sobre o preço das drogas.
Autorização e Histórico da Remoção
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento confirmou que o imóvel em questão possuía licença para demolição de marquise. Moradores relatam que a movimentação de usuários e pessoas em situação de rua para a Rua Tonelero ocorreu após a instalação de refletores potentes na Rua Hilário de Gouveia, que teria deslocado essas pessoas para a nova área.
Uma comerciante, que preferiu não se identificar, descreveu o cenário anterior como “um barulho insuportável à noite” e a presença de pessoas que “chegaram a montar um móvel e passaram a vender drogas”. Ela afirma que a situação melhorou após a remoção das marquises, com os indivíduos apenas passando e sentando, sem permanecerem por longos períodos. Denúncias ao programa Copacabana Presente e ações da Comlurb foram insuficientes para solucionar o problema, que, segundo ela, estava “transformando as calçadas em uma cracolândia” e reflete uma cidade “muito solta”.
Estatísticas e Ações Legais
Um estudo divulgado pela prefeitura no segundo semestre de 2025 revelou um aumento de mais de 260% nos atendimentos de acolhimento a pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro, saltando de 12.366 entre janeiro e julho de 2024 para 33.279 no mesmo período de 2025. Este dado considera que uma pessoa pode ser atendida múltiplas vezes.
Em resposta a essa crise, o Ministério Público Federal e Defensorias Públicas entraram com um pedido de urgência contra o município pela “omissão em medidas voltadas à população em situação de rua”. O documento ressalta o descumprimento de uma decisão liminar do STF que reconheceu um “estado de coisa inconstitucional” em relação a esse grupo vulnerável. A criação do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento (Ciamp-Rua) Municipal, previsto em lei desde 2018, ainda é pendente e considerada essencial para a articulação entre os entes federativos e a sociedade civil.
Fonte: O Globo
