Centro do Rio registra roubos e furtos de celulares em área turística
A região da Cinelândia, um dos cartões-postais do Rio de Janeiro, foi palco de momentos de tensão na tarde desta segunda-feira. Em um intervalo de apenas 30 minutos, turistas e pedestres presenciaram e foram vítimas de assaltos e furtos de celulares nas imediações do Theatro Municipal. Os incidentes reforçam a preocupação com a segurança na área central da cidade.
Um dos casos envolveu um casal de guatemaltecos em sua primeira visita ao Rio. Enquanto tentavam registrar uma foto em frente ao Theatro, um assaltante em uma bicicleta roubou o celular de uma das turistas. A ação rápida do criminoso gerou gritos de socorro e tentativas de perseguição por parte de populares, mas o suspeito conseguiu fugir.
Cerca de meia hora antes, outro caso de furto de celular foi presenciado por um jornalista. Um casal de turistas japoneses teve seu aparelho levado, e a comunicação para a recuperação do objeto só foi possível quando o celular, deixado para trás, tocou. A pessoa do outro lado da linha informou ter encontrado o aparelho e combinou a devolução. Os episódios, conforme informação divulgada pelo G1, evidenciam a vulnerabilidade de visitantes e moradores na região.
Estatísticas preocupantes de furtos e roubos de celulares
Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio revelam um aumento significativo nos furtos de celular no Centro. Entre janeiro e outubro de 2024, foram registrados 5.644 furtos, um aumento de 36% em comparação com o mesmo período do ano anterior (4.145 ocorrências). Embora os roubos de celular tenham apresentado uma queda de 17% em 2025 em relação a 2024, o número de furtos continua a crescer, contribuindo para a percepção de insegurança.
Crimes de oportunidade e a logística por trás dos roubos
Especialistas apontam que o Centro do Rio, por ser uma área de grande circulação comercial e de pessoas, facilita os chamados “crimes de oportunidade”. A concentração de público e a facilidade de fuga para os criminosos, além da existência de pontos de receptação para revenda ou desmanche dos aparelhos, contribuem para a incidência desses delitos.
O sociólogo Daniel Hirata destaca que a ocupação territorial do Centro, com sua centralidade urbana e fluxo constante, é um fator que propicia tanto a ação dos ladrões quanto a sua fuga. Ele ressalta a importância de ações de policiamento ostensivo e investigações focadas na cadeia criminosa, incluindo os receptadores.
Operação Rastreio combate o ciclo do crime de celulares
A Polícia Civil tem atuado no combate a essa modalidade criminosa através da “Operação Rastreio”. Esta iniciativa visa desarticular o ciclo de roubo, furto e receptação de celulares. As ações contínuas já resultaram na recuperação de mais de 10 mil aparelhos, com mais de 4.400 já devolvidos aos seus donos. Mais de 700 criminosos, entre ladrões, furtadores e receptadores, foram presos.
O delegado Victor Arthur Tuttman Diegues explica que o trajeto de um celular roubado no Rio é rápido e lucrativo, indo além dos tradicionais pontos de venda. A investigação policial aponta que os aparelhos roubados são repassados a técnicos especializados em softwares e ferramentas digitais, que os vendem a receptadores por preços abaixo do mercado. Esses receptadores atuam em áreas de grande fluxo comercial, e a logística pode envolver até o uso dos Correios para despachar os aparelhos furtados.
Fonte: G1
