Crise no DER-RJ: Falta de Verba e Contratos Sob Suspeita Marcando Nova Administração
A nova gestão do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Rio de Janeiro assumiu o órgão em meio a um cenário de caos financeiro e contratos milionários sob investigação. A situação encontrada é de escassez de recursos até para serviços essenciais como capina e tapa-buracos, enquanto contratos firmados pela administração anterior são alvo de suspeitas de irregularidades e sobrepreço.
O Viaduto de Alcântara, em São Gonçalo, é um exemplo emblemático do descaso. Com rachaduras, ferragens expostas e risco iminente, o local está entre os dez pontos classificados pelo próprio DER como de “elevado grau de risco”. A falta de investimento em manutenção básica compromete a segurança de milhares de usuários das rodovias estaduais.
Diante desse quadro, a presidente do DER, coronel Gabryela Reis Dantas, iniciou uma série de medidas para sanear o órgão. A exoneração de 79 funcionários em cargos comissionados e a previsão de um concurso público com 35 vagas são passos iniciais para a reestruturação.
Corregedoria Instaurada para Investigar Contratos e Irregularidades
Uma das primeiras ações da nova administração foi a criação de uma corregedoria, órgão inexistente apesar de previsto no regulamento. A equipe, composta por engenheiros da Defesa Civil e policiais militares, tem a tarefa de analisar todos os contratos firmados pelo DER. A expectativa é que essa investigação revele a extensão das irregularidades e desvios.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já havia emitido alertas sobre inconsistências e suspeitas de sobrepreço em contratos durante a gestão do ex-presidente Pedro Henrique de Oliveira Ramos. Um dos casos notórios foi a suspensão de um contrato de R$ 250 milhões para instalação de 390 radares.
Cortes de Gastos e Renegociação de Contratos para Recuperar o DER
Para otimizar recursos e direcioná-los às obras emergenciais, a nova gestão implementou cortes de gastos significativos. A devolução de 21 veículos alugados e de aparelhos celulares, por exemplo, gerou uma economia mensal de mais de R$ 500 mil. O uso de um cartão corporativo com limite elevado também foi extinto.
Além disso, o DER está atento às recomendações do TCE, que incluiu a renegociação do contrato da concessionária Rota-116. O tribunal apontou irregularidades que teriam gerado um prejuízo estimado em R$ 2 bilhões ao órgão na renovação do contrato por mais 25 anos.
Obras Urgentes e Prioritárias em Rodovias Críticas
A lista de obras prioritárias elaborada pela nova gestão prioriza os pontos de maior risco e com potencial de impactar um grande número de pessoas. O Viaduto de Alcântara, com risco estrutural, encabeça a lista com um orçamento de R$ 38,3 milhões. Outras seis obras emergenciais somam R$ 155,7 milhões.
Rodovias como a RJ-135, RJ-142 e RJ-125 apresentam problemas de erosão e contenções comprometidas, com risco de interdição e deslizamentos. Pontos como o Viaduto de Santa Rita, em Nova Iguaçu, e a RJ-145, em Piraí, também exigem atenção imediata.
A nova administração do DER-RJ busca, com essas medidas, restaurar a credibilidade do órgão e garantir a segurança e a trafegabilidade das rodovias fluminenses, que sofrem com anos de descaso e má gestão.
Fonte: G1
