Exposição ‘Toda Árvore Tem Raiz’ em cartaz na Caixa Cultural RJ
A Caixa Cultural Rio de Janeiro abre suas portas para ‘Toda Árvore Tem Raiz’, a primeira exposição individual da artista indígena Yacunã Tuxá. A mostra, que já passou por Salvador, reúne mais de 25 obras e celebra a rica cultura e perspectiva dos povos originários. A entrada é gratuita e a exposição ficará disponível para visitação até 20 de setembro.
A proposta da exposição é oferecer um mergulho profundo nas reflexões sobre ancestralidade, identidade, espiritualidade e território, temas caros à artista e à sua comunidade. Yacunã Tuxá utiliza diversas linguagens artísticas para expressar suas vivências e visões de mundo, conectando o passado e o presente de forma impactante.
Com curadoria de Naine Terena e Vera Nunes, em colaboração com a artista, a exposição convida o público a uma jornada imersiva. Elementos simbólicos como o rio, a canoa e a Jurema ganham destaque, representando a força da memória e da resistência. A figura feminina indígena é central, apresentada como guardiã das tradições e das histórias que se perpetuam através das gerações.
Diversidade de Linguagens Artísticas e Temáticas
Ao percorrer a mostra, os visitantes encontrarão um diálogo entre técnicas tradicionais e recursos contemporâneos. Pinturas, fotografias, esculturas, poesias, muralismo, vídeo mapping, performances e lambe-lambes compõem o acervo, cada um explorando temas como memória, resistência e pertencimento. A exposição evidencia as complexas conexões entre os povos indígenas, seus territórios e a vida urbana.
A Voz de Yacunã Tuxá: Memória e Pertencimento
Yacunã Tuxá, pertencente ao povo Tuxá de Rodelas (BA), expressa que a exposição é um espaço de afirmação da força da memória e do pertencimento. “Nas obras em exposição, as mulheres ocupam o centro do território das lembranças. A multiplicidade de linguagem criativa que apresento neste projeto introduz algo simples: é impossível sintetizar a pluralidade subjetiva das existências indígenas”, afirma a artista.
Ela ressalta ainda como sua produção estabelece pontes entre a aldeia e a cidade. “Entre aldeia e cidade, com as mãos moldando o barro ou segurando uma filmadora, a presença dessas mulheres, ao longo da história, articulou e articula resistências variadas, algumas até invisíveis, mas todas potencialmente criativas e transformadoras”, completa.
Trajetória e Influência da Artista
A produção de Yacunã Tuxá, que já esteve presente em instituições como o MASP e a Pinacoteca de São Paulo, é reconhecida como uma ferramenta poderosa de resistência, afirmação identitária e valorização das culturas indígenas contemporâneas. Sua atuação abrange artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, consolidando-a como uma voz importante no cenário artístico nacional.
Fonte: G1
