Moradores de Botafogo protestam contra desapropriação de imóvel histórico
Um grupo de moradores de Botafogo realizou um protesto neste sábado (20/06) contra a desapropriação de um imóvel na Rua Barão de Itambi, que por décadas abrigou supermercados como Sendas e Pão de Açúcar. A mobilização questiona a decisão da Prefeitura do Rio de transformar o terreno em área de interesse público e renovação urbana.
O ponto central da crítica é a mudança de vocação do espaço, considerado estratégico para o abastecimento de bairros da Zona Sul. Segundo a consultoria Geofusion, a área de influência comercial local atende cerca de 200 mil moradores, o que, para os organizadores, reforça a importância de manter um supermercado no local.
A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB) alega que o processo de desapropriação ocorreu sem diálogo suficiente com a comunidade. Regina Chiaradia, presidente da AMAB, destaca a insatisfação dos moradores com a falta de participação nas etapas do projeto e questiona se a destinação proposta atende ao interesse coletivo.
Disputa judicial trava leilão do imóvel
A Prefeitura do Rio declarou o imóvel de utilidade pública em dezembro passado para fins de renovação urbana e posterior leilão. O projeto inicial previa a instalação de um centro de pesquisa em inteligência artificial ligado à Fundação Getulio Vargas. No entanto, o processo enfrenta resistências e questionamentos jurídicos.
Em abril, o Tribunal de Justiça do Rio concedeu uma liminar suspendendo o leilão do imóvel após recurso do Grupo Sendas. A decisão paralisou o andamento do processo, que segue em tramitação judicial. O Grupo Sendas contesta a desapropriação, apontando possíveis irregularidades e desvio de finalidade.
Comunidade defende manutenção de comércio e novo supermercado
Durante o protesto, moradores defenderam que o imóvel mantenha seu uso comercial. Foi mencionado que já existe um contrato firmado com o Grupo Mundial para a instalação de uma nova unidade supermercadista no local. O vereador Pedro Duarte, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio, presente na manifestação, reforçou o apoio à demanda dos moradores por um novo supermercado.
O Ministério Público do Estado também se manifestou contra a realização do leilão, enquanto a Prefeitura do Rio sustenta que o processo está em conformidade com a legalidade. A disputa judicial continua, com as partes apresentando documentos e manifestações no processo.
Fonte: G1
