Investigação Revela Interferência Política na Demolição de Imóveis Ligados ao TCP
Uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta quinta-feira (data da operação não especificada na fonte, mas inferida como recente) mira o deputado estadual Val Ceasa, um ex-assessor e o ex-vereador Ulisses Marins. A investigação aponta para a suspeita de que eles teriam obtido informações sigilosas sobre uma operação policial destinada a demolir imóveis ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) em Parada de Lucas, causando um atraso de mais de um ano na ação.
Durante a operação desta quinta, foram apreendidos cerca de R$ 320 mil em espécie em endereços ligados a Val Ceasa, além dos celulares dos três. Um ex-assessor e sua companheira foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. A Procuradoria-Geral de Justiça iniciou a investigação após indícios de que parlamentares teriam contatado a Polícia Militar para obter detalhes sobre a operação.
O procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, comparou o caso ao do ex-deputado TH Joias, que revelou a infiltração do Comando Vermelho na Alerj. Segundo ele, a investigação sobre Val Ceasa e Ulisses Marins busca desvendar como o Terceiro Comando Puro também se infiltrou na Casa Legislativa.
Vazamento e Mudanças Estratégicas para Adiar Demolição
Em 11 de dezembro de 2023, o deputado Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins teriam procurado o comandante do 16º BPM (Olaria) para obter informações sobre a operação, que era sigilosa. Segundo o comandante, Val Ceasa defendeu a permanência do local, alegando seu uso para “ações sociais”. No mesmo dia, uma promotora informou ao então secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, que a operação foi cancelada devido ao vazamento, com parlamentares alegando que os imóveis eram utilizados para atividades de assistência a idosos e crianças.
Projetos Sociais Fictícios e Desmontagem de Estruturas Criminosas
No dia seguinte, 12 de dezembro de 2023, o ex-vereador Ulisses Marins teria procurado Brenno Carnevale para defender a manutenção do espaço, reiterando a alegação de projetos sociais. Carnevale também relatou que Marins mencionou a procura de Val Ceasa ao comandante do 16º BPM. Em 15 de dezembro de 2023, uma nova operação policial na região constatou mudanças significativas nos imóveis. Agentes encontraram faixas alusivas a projetos sociais, que, segundo o Ministério Público, nunca haviam sido identificadas antes. Tais alterações, incluindo a desmontagem de uma academia e a remoção de pinturas ligadas à facção, visavam “disfarçar” a ocupação do espaço pelo TCP.
Cancelamentos Repetidos e a Demolição Final
As tratativas para a demolição só foram retomadas em 16 de outubro de 2024, em uma reunião entre o MPRJ e a prefeitura. A operação, agendada para 29 de outubro, foi novamente cancelada após uma ação policial na região resultar em três mortes por balas perdidas e resistência inesperada das forças de segurança. Após esses dois cancelamentos, a demolição do “resort” foi finalmente concretizada em março do ano passado (2023, conforme a cronologia, mas a fonte indica 2024 para a retomada das tratativas, gerando ambiguidade na data final da demolição).
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) informou que “acompanha a operação” e reitera seu compromisso com a transparência, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações.
Fonte: G1
