MPRJ: Crime organizado 'se entranhou nas vísceras' da Alerj, com ligações espúrias entre facção e deputado

MPRJ: Crime organizado ‘se entranhou nas vísceras’ da Alerj, com ligações espúrias entre facção e deputado

MPRJ desvenda ‘relações espúrias’ e aponta infiltração do crime organizado na Alerj O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou em relatório que o crime organizado conseguiu se infiltrar nas mais altas esferas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A investigação aponta uma série de “relações absolutamente espúrias” entre o deputado estadual […]

Resumo

MPRJ desvenda ‘relações espúrias’ e aponta infiltração do crime organizado na Alerj

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou em relatório que o crime organizado conseguiu se infiltrar nas mais altas esferas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A investigação aponta uma série de “relações absolutamente espúrias” entre o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).

A operação deflagrada nesta quinta-feira (18) cumpre 14 mandados de busca e apreensão, focando no parlamentar e em outros dois agentes públicos. O MPRJ descreve uma “inaceitável penetração do crime organizado nas altas esferas do poder público”, comparando a situação a investigações anteriores que revelaram ligações do Comando Vermelho (CV) com a Alerj.

“A exemplo da investigação que desvelou a infiltração da facção criminosa Comando Vermelho na Alerj, o presente inquérito policial está a desvendar que a facção rival, autodenominada Terceiro Comando Puro, também se entranhou nas vísceras da Casa Legislativa”, afirma o documento.

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Deputado Val Ceasa é principal alvo de operação contra o TCP

Val Ceasa é suspeito de tentar obter informações sobre uma operação sigilosa de demolição de imóveis de luxo utilizados pela cúpula do TCP no Complexo de Israel. Após sua suposta intervenção, imóveis ligados à facção passaram a exibir faixas de projetos sociais inexistentes em seu nome, numa tentativa de evitar investigações.

O MPRJ também investiga o uso de dependências do Ceasa (Centro de Abastecimento), onde o deputado possui empresas, para descarregar armas de fogo. Além disso, o órgão aponta incompatibilidade patrimonial do parlamentar, que declarou R$ 1,1 milhão em bens em 2022, enquanto empresas ligadas a ele movimentaram R$ 13 milhões em transações recentes.

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Suspeitas de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito

A evolução patrimonial suspeita de Val Ceasa inclui a compra de imóveis de luxo, como uma mansão na Barra da Tijuca e um apartamento no Recreio dos Bandeirantes. O ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e o assessor parlamentar Michael Johnny Viana Azevedo também são alvos da ação. Michael Azevedo foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Em sua defesa, Val Ceasa alega ser vítima de perseguição política e nega ter atuado para impedir a operação. Ele afirmou que apenas solicitou ao então prefeito Eduardo Paes a criação de uma vila olímpica na região. “Todo servidor público tem que ser investigado. A Justiça tem direito de investigar. Isso aí é perseguição política. Eu trabalho para os humildes”, declarou.

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Prefeitura do Rio e Alerj se manifestam sobre a operação

O prefeito Eduardo Paes, por meio das redes sociais, informou que a operação teve origem em uma denúncia da prefeitura, através da Secretaria de Ordem Pública (Seop), no âmbito de uma força-tarefa para combater construções irregulares em áreas sob influência do crime organizado. A prefeitura confirmou que Michael Johnny Vianna de Azevedo será exonerado, pois sua nomeação para a Rioluz, em fevereiro de 2025, não apresentava impedimentos iniciais.

O ex-vereador Ulisses de Almeida Marins não faz parte do quadro de servidores municipais, e sua nomeação para um cargo na prefeitura foi barrada pela secretaria de integridade. A Alerj, em nota, declarou estar à disposição para colaborar com as investigações e reiterou seu compromisso com a população fluminense.

Fonte: g1

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