MPF pede perícia médica para comprovar tortura e perseguição política durante a ditadura militar no Brasil

MPF pede perícia médica para comprovar tortura e perseguição política durante a ditadura militar no Brasil

MPF defende perícia médica para vítima de perseguição política na ditadura O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se favoravelmente à realização de uma prova pericial médica para uma mulher que busca comprovar na Justiça ter sofrido graves violações de direitos humanos durante o regime militar. Registros históricos obtidos pela investigação indicam que ela foi detida ilegalmente […]

Resumo

MPF defende perícia médica para vítima de perseguição política na ditadura

O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se favoravelmente à realização de uma prova pericial médica para uma mulher que busca comprovar na Justiça ter sofrido graves violações de direitos humanos durante o regime militar. Registros históricos obtidos pela investigação indicam que ela foi detida ilegalmente e interrogada pelas forças de repressão.

A manifestação do MPF, assinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo, destaca que os documentos reunidos no processo corroboram a narrativa da autora da ação. O posicionamento foi emitido após a Justiça obter informações do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) e do Arquivo Nacional.

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As buscas realizadas pelo Arquivo Nacional localizaram arquivos vinculados ao nome da autora e suas variações ortográficas. Já o Aperj apresentou documentos que estão em consonância com o relato da autora sobre sua prisão em 23 de julho de 1964, sob a alegação de envolvimento com o grupo “Gr-11”, uma organização de esquerda nacionalista.

Dops: órgão central na repressão política

Entre os documentos recuperados no Aperj, consta uma ficha do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) – especificamente da Secção de Serviço Secreto do Estado do Rio. Nela, a jovem, com 19 anos à época e profissão de atendente de consultório médico, aparece sob a rubrica “Doutrina Política: Averiguações”.

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O procurador relembrou o papel central do Dops do Rio de Janeiro como um dos principais órgãos de vigilância do regime. O órgão atuava sistematicamente no monitoramento, perseguição e tortura de dissidentes políticos ou de qualquer cidadão considerado subversivo.

Prova pericial busca comprovar sequelas físicas

O MPF ressalta que o conjunto de provas documentais juntadas ao processo deve ser analisado de forma contextualizada. Relatórios e fichas remanescentes da ditadura ganham relevância ao corroborar o histórico de abusos sofridos pela autora, que afirma ter sido interrogada e severamente torturada nas dependências do Dops após sua prisão.

O principal objetivo do pedido de perícia técnica é atestar, de forma científica, as sequelas que persistiram ao longo das décadas. A defesa da autora argumenta que ela sofre até hoje com danos físicos permanentes decorrentes das sessões de tortura às quais foi submetida sob custódia do Estado.

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Processo aguarda decisão judicial sobre exames médicos

O pedido de produção da prova pericial médica havia sido temporariamente postergado pela Justiça até que as respostas do Arquivo Nacional e do Aperj fossem formalmente anexadas. Com a vinda dos documentos institucionais solicitados e a devida manifestação das partes, o processo aguarda a apreciação judicial definitiva sobre a realização dos exames médicos.

Fonte: MPF

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