Demissões na Fazenda do Rio de Janeiro após Operação da PF
O governo interino do Rio de Janeiro promoveu uma significativa reestruturação na Secretaria Estadual de Fazenda, resultando na exoneração de quase 40 servidores. A medida ocorre em sequência à operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de favorecimento à refinaria Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. As mudanças foram publicadas no Diário Oficial desta segunda-feira (18).
O secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercê, explicou que a decisão faz parte de uma ampla reformulação na área de fiscalização tributária. “Não posso afirmar que todos tinham envolvimento, mas nossa opção foi trocar praticamente todo o comando da fiscalização”, declarou, em entrevista ao SBT News. A ação visa apurar suspeitas de fraudes fiscais, favorecimento institucional e ocultação patrimonial.
Conforme informado pela Secretaria de Fazenda, os servidores citados na investigação foram afastados de suas funções e responderão a processos administrativos disciplinares. Além disso, foram cancelados acessos a sistemas e bancos de dados, aberta uma correição extraordinária na Auditoria Especializada de Combustíveis e determinada a fiscalização sobre incentivos fiscais concedidos à Refit, bem como auditorias em empresas mencionadas pela PF.
Operação “Sem Refino” investiga fraudes bilionárias
A Operação “Sem Refino”, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (15) e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura possíveis fraudes fiscais na ordem de bilhões e suspeitas de favorecimento à Refit por agentes públicos do Rio de Janeiro. A PF aponta que o ex-governador Cláudio Castro teria atuado como “braço político” do esquema, nomeando pessoas alinhadas ao grupo e editando medidas favoráveis à refinaria.
Medidas e novas nomeações na Fazenda
A reestruturação, segundo a Secretaria de Fazenda, já estava em planejamento, mas foi acelerada após a operação da PF. A pasta também anunciou novas nomeações em cargos estratégicos. Lucas Salvetti, auditor fiscal, foi designado para chefiar o gabinete da pasta, enquanto Gabriel Blum assumiu a Subsecretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação. O governo planeja ainda editar novas normas para aumentar a transparência e o controle interno, incluindo regras para reuniões entre servidores da Fazenda e representantes de empresas.
A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados aos investigados, que incluem, além de Cláudio Castro, o dono da Refit, Ricardo Magro, e um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Fonte: SBT News
