Servidores Estaduais Intensificam Greves no Rio de Janeiro
Uma onda de paralisações tomou conta de diferentes setores do funcionalismo público estadual no Rio de Janeiro nas últimas semanas. Servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e da rede estadual de educação estão em greve, buscando pressionar o governo por recomposição salarial e melhores condições de trabalho. As mobilizações tiveram início após o desembargador Ricardo Couto assumir o comando do Executivo estadual em 25 de março.
Na Uerj, docentes iniciaram greve em 25 de março, e servidores técnicos aderiram na quinta-feira seguinte. A principal demanda é o pagamento de reajustes salariais atrasados, a volta do bônus por tempo de serviço (triênios) e a melhoria das condições de trabalho. Os grevistas também protestam contra leis que congelaram salários e reduziram a arrecadação do estado, impactando diretamente o orçamento da universidade.
O Detran-RJ também foi afetado por uma paralisação por tempo indeterminado, iniciada em 2 de abril. Cerca de 70% dos servidores efetivos aderiram ao movimento, que tem causado longas filas e atrasos no atendimento. Serviços como vistorias de veículos, provas teóricas e práticas para habilitação e emissão de documentos estão entre os mais impactados, gerando transtornos para a população.
Educação Cobra Reajuste e Piso Nacional
Profissionais da rede estadual de educação realizaram uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira, organizada pelo Sepe-RJ. A categoria reivindica recomposição salarial, pagamento do piso nacional do magistério e reajustes acumulados dos últimos três anos. Segundo o sindicato, uma nova paralisação está marcada para 5 de maio, quando será avaliada a possibilidade de entrada em estado de greve. “Nós chegamos num ponto que não aguentamos mais sem resposta. É um estado que não cumpre o piso nacional e não respeita o reajuste salarial”, afirmou Rose Silveira, coordenadora do Sepe-RJ.
A categoria estima que seria necessário um reajuste de cerca de 56% sobre os salários de janeiro de 2026 para recompor as perdas salariais. Além disso, cobram o cumprimento de um acordo firmado em 2021, que previa a reposição de 26,5% referente às perdas entre 2017 e 2021, dividida em três parcelas, das quais apenas a primeira foi paga. Uma assembleia e um protesto em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) estão programados.
Policiais Penais Buscam Recomposição Salarial
No sistema prisional, o sindicato dos policiais penais informou que encaminhou um ofício ao governador interino, Ricardo Couto, tratando da recomposição salarial da categoria. O tema já havia sido debatido na Alerj no ano passado, mas não obteve avanços significativos.
O governo do estado foi procurado, mas ainda não se manifestou oficialmente sobre as demandas dos servidores grevistas.
Fonte: G1
