Galeão Ganha Nova Gestora em Leilão com Forte Ágio
A recente licitação do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, surpreendeu o mercado ao registrar um ágio de 210%. A concessionária espanhola Aena adquiriu o aeroporto por R$ 2,9 bilhões, valor significativamente superior aos R$ 932 milhões iniciais e à expectativa do governo de R$ 1,5 bilhão.
A disputa pelo Galeão foi acirrada, com a Aena e a Zurich Airport protagonizando lances intensos por cerca de uma hora. O consórcio Rio de Janeiro Aeroporto, atual operadora em parceria com a Infraero, também participou da fase final, mas não conseguiu acompanhar a agressividade dos concorrentes.
A Infraero, atualmente com sua capacidade financeira comprometida, não pôde arcar com os investimentos necessários para as melhorias. A experiência da Changi, administradora do renomado aeroporto de Cingapura, não foi suficiente para reverter o cenário, agravado pela saída da Odebrecht, parceira envolvida na Lava Jato.
Histórico de Dificuldades e Nova Modelagem de Concessão
O Galeão enfrentou um histórico de planejamento inadequado. Sua licitação ocorreu em 2013, já sob o primeiro governo Dilma Rousseff, sem tempo hábil para obras substanciais antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. A modelagem da época, com participação de 49% da Infraero, refletia uma visão estatista e limitou a capacidade de investimento.
Crises econômicas e a pandemia de Covid-19 agravaram a situação, levando o aeroporto a operar com um de seus terminais desativado. Recentemente, a Changi devolveu a concessão, mas permaneceu na gestão até o novo leilão, cujas regras são mais favoráveis à iniciativa privada, sem a participação da Infraero e com um modelo de receita baseado em percentual do faturamento em vez de pagamentos fixos de outorga.
Potencial Turístico e Desafios Futuros
O Galeão possui características estratégicas para o turismo, como suas longas pistas e localização privilegiada, capazes de receber qualquer tipo de aeronave. Seu subaproveitamento era um desperdício diante da importância do Rio de Janeiro como destino mais visitado por estrangeiros no Brasil.
A Aena, que já gerencia outros aeroportos brasileiros, tem o desafio de revitalizar o Galeão e aproveitar o recente aumento de rotas internacionais para o Rio. O poder público, por sua vez, deve colaborar para que o Aeroporto Santos Dumont não concorra de forma prejudicial com o Galeão, evitando que o menor volte a ofuscar o maior.
Brasil Precisa de Mais e Melhores Aeroportos
O país necessita de uma infraestrutura aeroportuária mais robusta para atender à demanda turística. Atualmente, o Brasil recebe um fluxo de visitantes estrangeiros muito inferior a outros destinos, como a Tailândia, e um aumento significativo poderia levar ao colapso da infraestrutura existente.
Para capitalizar o potencial turístico, são necessários investimentos em segurança pública, infraestrutura de transporte interna e qualificação profissional no atendimento ao turista. A expansão de hubs aeroportuários e um ambiente regulatório mais amigável para companhias aéreas são cruciais para posicionar o Brasil como um destino globalmente desejado.
Fonte: G1
